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festival optimus alive 2010

Oh I, ohh, I'm still alive

12 | 07 | 2010   08.57H

À quarta edição, o Alive esgotou mesmo - pelo menos os passes e o dia 10 - mobilizando milhares de portugueses e turistas. Na quinta-feira, as portas em Algés abriram cedo, mas o recinto ainda estava a encher quando Biffy Clyro e Moonspel subiram ao palco principal. Com três recintos em simultâneo, cheios de nomes de peso, o difícil, viu-se logo, seria mesmo escolher.

No palco maior, ninguém ficou indiferente a Alice in Chains, Kasabian e Faith no More, mas foram estes últimos os senhores da noite. Mike Patton voltou a provar que é um animal de palco, louco, com uma entrega ao público total (tão grande que lhe roubaram um sapato, quando fez crowd surfing). «Bestas!», foi a sua resposta, em português abrasileirado, uma constante no concerto.

Em excelente forma, Patton cantou em português, fez piadas, barulhos, improvisos, engoliu o microfone, rodou em palco à leão e dedicou um tema a Cristiano Ronaldo (a quem chamou palhaço), num espectáculo alucinante. Não faltaram The Real Thing, Epic e Easy deixando os fãs de barriga cheia.

A classe dos Deftones

Ao segundo dia, o Alive voltou a quase encher para acolher, no palco maior, nomes como Manic Street Preachers e Deftones. A qualidade foi uma constante: 1º nos Jet (apesar de serem repetitivos), depois na classe dos Mão Morta, nos êxitos dos Manic e na mulher-furacão Skin, dos Skunk Anansie (ainda assim, concerto morno e demasiado 'retro').

Os Deftones mereceram a escolha de líderes, levando ao palco uma enchente e actuando com garra e classe impressionantes - são mesmo uma banda cool, estranhamente sexy, metal que não chega a ser.

E quando os Pearl Jam fizeram uma canção sobre Portugal...

Sábado, o temido dia esgotado, levou a Algés um começo enérgico: Gomez encantaram e a sequência rock à irlandesa dos Dropkick Murphys/ loucura cigana dos Gogol Bordello foi alucinante, parar era proibido, a maratona é para correr.

Às 23h, os sub-cabeças de cartaz Pearl Jam - LCD Soundsystem fecharam em grande - entraram já perante espaço lotado e iniciaram nova maratona mas de emoções, num concerto estranho e melancólico. Além de várias referências (verbais e em temas, início com Release Me, incluírem Smile) a Cascais/1996, quando começou a forte relação entre os PJ e fãs portugueses, à quinta música Eddie Vedder leu um texto em português onde anunciou ser aquele o «último concerto» da banda, «não para sempre, mas por muito tempo».

Lançado o fantasma do fim ou pelo menos pausa da banda - e sendo visível o cansaço sobretudo de Eddie (McCready arrasou), no último concerto da tour, já nada tirou a tónica melancólica de um espectáculo já de si nostálgico - Ten foi o disco mais tocado e tudo pareceu um firmar do amor de Eddie a Portugal: ao surf, às ondas que pediu que apanhássemos por ele, ao público, o que «melhor canta» e sobre o qual diz «não ter como mostrar como o fazem sentir» e ao país, sobre o qual completou uma canção iniciada em 96, quando todos gritavam 'Portugal' e que agora tem letra completa, com promessas de vir cá morar.

Portugal deu aos PJ um festival com nome de um tema e a expressão reiterada de uma admiração digna de ídolos de uma geração. Os Pearl Jam sempre retribuíram e isso, com ou sem pausa, já ninguém nos tira.

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Melhor e Pior

Sendo um festival 'só' com 4 anos, o Alive procura melhorar a cada edição. Este ano, o palco secundário ganhou ecrãs, e pelo recinto havia mapas do espaço e com os horários das bandas. A comida é cada vez mais e mais variada, e até já inclui sushi. Negativas, foram as filas no 1.º dia, por causa das pulseiras - houve quem esperasse hora e meia para entrar. O palco secundário foi criticado por não suportar muita gente.

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Palco Super Bock | O Palco mais cheio de Palcos

Era esperado; foram milhares os que se concentraram no Palco Super Bock. As razões eram óbvias e foram todas confirmadas: Florence + The Machine, The XX e La Roux, no primeiro dia, Gossip no segundo e Peaches no terceiro, provocaram verdadeiras enchentes ao palco dito alternativo. Eram todas bandas com enorme hype, e que o justificaram - o pior é que as enchentes foram tais que mesmo muitas pessoas não conseguiam ver nada, a crítica mais recorrente durante o festival. Com cartazes tão fortes, impor-se-á talvez repensar o espaço, no mínimo aumentar a tenda. The Drums e Devendra Banhart, o supreendente concerto dos Maccabees, Hurts e Girls foram outros nomes que brilharam. Big Pink e Simian cumpriram mas supreenderam por uma afluência mais fraca, talvez devido aos outros palcos.

Palco Optimus Clubbing | Da melancolia à loucura

O palco Optimus Clubbing do Alive é interessante e outro caso de sucesso, talvez por dois factores - a sua localização, a meio do recinto, que permite o 'espreitar' recorrente; e um cartaz eclético, que começa calmo ao entardecer e acaba muitas vezes na loucura da dança e DJ. Para além disso, este ano cada noite tinha um tema: a primeira, bandas da Planet Turbo; a segunda da Enchufada (dos Buraka Som Sistema); e a terceira sob o mote 'Femina' de Legendary TigerMan. Foi mesmo este, com convidadas em palco, que provocou talvez a maior enchente, mas outros nomes brilharam: os magníficos Paus, Tiga e Micro Audio Waves foram dos concertos mais falados; Noiserv, Enchufada DJ e Youthless foram óptimos aquecimentos de fim de tarde.

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115 mil a 120 mil pessoas passaram pelo 4.º Alive. O recinto recebeu cerca de 38 mil pessoas no primeiro dia; cerca de 36 mil no segundo; e quase 45 mil pessoas no sábado - o limite do recinto. O Alive volta a 7, 8 e 9 de Julho de 2011.

Patrícia Naves | pnaves@destak.pt || Filipa Estrela | festrela@destak.pt
Foto: Luís Pó/Destak
Oh I, ohh, I'm still alive | © Luís Pó/Destak

2 comentários

  • Faith No More sem dúvida roubaram o protagonismo a todos os que vieram antes e a seguir..
    dos melhores performers de sempre..
    Manolo | 13.07.2010 | 18.26H
  • Gostei particularmente dos Manic Street Preachers. Fui porque ganhei o bilhete. Adorei a originalidade e as músicas são muito boas. Ouve algumas que só depois percebi que afinal eram deles!
    sandro | 12.07.2010 | 15.33H
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