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Boa Hora

Fecho do tribunal há um ano acentuou a crise para os comerciantes da zona

19 | 07 | 2010   10.58H

“Desde que fechou o Tribunal tivemos quebras nas vendas da ordem dos cinquenta por cento”, disse à Lusa José Martins, antigo proprietário do Café Merendinha, conhecido pela limonada.

Agora, José Martins e o seu sócio já venderam o estabelecimento. “Não conseguimos ganhar o suficiente para os dois”, desabafou.

A crise na zona foi mais acentuada devido ao encerramento do tribunal e todos reclamam uma urgente reocupação do palácio.

“Falaram-nos que poderia ser aqui instalado o Centro de Estudos Judiciais, isso era bom, mas nós não vemos ninguém a fazer obras”, diz, desiludido, Jaime Cardoso, proprietário de uma papelaria em frente ao tribunal e que viveu durante anos no corrupio de advogados e magistrados.

No último ano, “tivemos quebras muito grandes” e “se não fossem as rendas baixas que alguns comerciantes ainda têm, já estava tudo fechado”, salientou.

Já Manuel Dias, gerente da uma casa de material desportivo que atravessou três séculos, sente saudades do tempo recente em que tinha a justiça como cliente de equipamento desportivo.

“Juízes, funcionários judiciais e até os próprios guardas prisionais, vinham aqui e compravam”, afirmou o empresário que estima entre 10 a 15 por cento a quebra nas vendas da centenária Casa Sena, fundada há 175 anos e antiga fornecedora da Casa Real.

Destak/Lusa | destak@destak.pt
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