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Barrangem Foz Tua

Construção avança com impasse da ferrovia por resolver

23 | 07 | 2010   18.36H

A empresa fez saber, numa nota à imprensa, que “as propostas serão entregues em outubro” e, “de acordo com o planeamento estabelecido, a adjudicação deste contrato e o arranque das obras deverão ocorrer no final do ano em curso”.

A EDP avança que o projecto “envolve investimentos de 300 milhões de euros e criação de 4000 postos de trabalho directos e indirectos com a conclusão da obra prevista para o início de 2015.

A elétrica portuguesa ganhou o concurso de Foz Tua incluído no plano nacional de barragens e foi-lhe atribuída, em 2008, a concessão provisória do domínio hídrico.

A Declaração de Impacte Ambiental (DIA) foi favorável mas ”fortemente condicionada”, impondo, entre as medidas de minimização e compensação, a realização de um estudo de alternativas, incluindo a ferroviária, à linha que vai ser submersa.

A EDP já entregou o estudo ao Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações que está ainda “a estudar” as diferentes alternativas, segundo disse o ministro António Mendonça no início de julho, na Assembleia da República.

O ministro disse ainda, na audição a pedido do Partido Ecologista “Os Verdes”, que a alternativa mais barata é a rodoviária, substituindo o comboio por autocarros, e que ficaria mais barato oferecer um automóvel a cada utente do que manter a linha tal como está com um custo de 29 mil euros por utente.

A EDP manifesta, no anúncio da abertura do concurso da construção da barragem, a expetativa de que antes dos procedimentos de adjudicação da obra deverá ser aprovado o Relatório de Conformidade Ambiental do Projeto de Execução (RECAPE) “que foi entregue às autoridades competentes em junho, estando atualmente em análise”.

A execução do projecto depende da aprovação deste documento, em que deverá ficar esclarecida a solução a adotar para a linha do Tua, onde o comboio não circula há dois anos, desde o último de quatro acidentes com outras tantas vítimas mortais.

A linha do Tua tem cerca de 60 quilómetros e é o último troço de ferrovia do Nordeste Transmontano, que ligava Mirandela ao Tua e à Linha do Douro.

A barragem de Foz Tua cortará esta ligação entre as duas linhas e submergirá a parte mais atractiva turisticamente do vale do rio Tua.

O empreendimento está projetado para o troço superior do rio Tua, perto da confluência com o Douro, e será constituído por uma barragem em betão, do tipo abóbada, por uma central subterrânea em poço, equipada com dois grupos reversíveis com uma potência total de 263 MW.

Terá ainda um circuito hidráulico subterrâneo e uma subestação compacta para ligação à rede de evacuação de energia, com uma produção bruta anual prevista de 619 GWh.

Foto: DR
Construção avança com impasse da ferrovia por resolver | © DR

3 comentários

  • Caro habitante local de Ala, Macedo de Cavaleiros, freguesia que não é, nem nunca servida pela linha do Tua (se estou a mentir diga-me). Caso não saiba seria mais importante para o turismo do seu concelho e da sua região, uma linha (com boa manutenção) que atravessasse alguns dos concelhos transmontanos e que fizesse ligação a Sanabira. Duvido que uma barragem que, segundo li, tem um caudal variável ou seja, que esvazia e volta a encher num espaço de poucos (ou mesmo um) dias tenha tanto interesse turístico como tem, por exemplo a barragem do Azibo. Se mentalmente faz a comparação, deixe-se disso, não tem nada haver. Nem sei sequer da navegabilidade, mas isso, repito, não sei. Para além da riqueza turística que é a própria linha, a zona de Macedo de Cavaleiros iria lucrar imenso com uma linha que liga a barragem (em Vale da Porca/Azibo – encerrada desde 1992) a uma das maiores regiões de turismo do país (o Douro) e a Espanha... Mas são visões de quem acha que só se ganha dinheiro com cimento! Deixo-o com este trecho de um estudo que é obrigatório, que foi mandado fazer pela EDP (o chamado estudo de avaliação de impacto ambiental) e que diz, grosso modo, o seguinte “as perdas locais resultantes dos prejuízos ambientais, culturais, turísticos e de mobilidade das populações, serão, qualquer que seja a quota apenas escassamente compensáveis na produção eléctrica nacional”. Acha bem que a região mais pobre da Europa se continue a sacrificar pelo resto do país, sendo que Lisboa é das regiões mais ricas?
    João - Vale da Porca, Macedo de Cavaleiros | 03.08.2010 | 10.04Hdenunciar comentário
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  • Também eu sou um habitante local e penso que o comentário anterior, embora talvez sincero, tem ele sim visões muito curtas.
    O futuro irá priveligiar o turismo natural, cultural, paisagístico e patrimonial, tudo que uma barragem não é. Para além disso como também sou um habitante local quero ter um transporte eficaz para as minhas deslocações, e poder aceder à alta velocidade via Sanabria (Esp); para tal é necessárioe recuperar a maravilha da engenharia que é a linha do Tua.
    A EDP não é dona do Tua, nem do Douro, nem de Portugal. É impressionante que alguém dos gabinetes lá longe tenha o poder de alterar o nosso futuro de forma permanente, sem terem sido mandatados pelo voto para isso.
    Contem comigo para a luta se a barragem começar a ser feita.
    Para uma visão alternativa ao comentário anterior: linhadotua.net
    jose martins | 02.08.2010 | 01.03Hdenunciar comentário
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  • Fico feliz por saber que a barragem vai ser mesmo para contruir, e que as opiniões/desejos de certa gente com defice cultural/mental não vai avante. isto só vai beneficiar a região, pois que a linha se encontra desde há muito condenada e "abandonada", pela Refer/Cp e os sucessivos governos e orgão das autarquias locais, já que os acidentes que se deram na linha, foram causados pelo mau estado da mesma, devida á falta de manutenção e não sabotagem como muitos dos supra mencionados referem. Por outro lado a linha não vai ficar completamente submersa, e porque não fazer um transbordo através de barco, a viagem tornar-se-ia inclusivamente mais atractiva ao nivel turistico. Mas neste país não se pensa, só se sabe criticar. E o vale do Tua ficará inclusivamente mais belo, com o preenchimento por parte desse recurso que é dos mais preciosos que se chama "àgua". O Douro um dos Rios/Vales mais apreciados do país tem mais me meia dezena de barragens e não é por isso que deixa de ser Patrimonio Mundial. Para esse gente tacanha, Pensem, e evoluam essas mentalidades, porque além de tudo que foi dito, ainda produzimos energia renovavel, limpa, e dispomos todo o ano e com abundãncia desse bem precioso que é a Água... Está Dito...
    Habitante Local - Ala | 24.07.2010 | 03.42Hdenunciar comentário
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