Prisões

"El Solitário" compara cadeia de Monsanto à de Guatanamo

14 | 01 | 2008   09.27H

«[A prisão de] Monsanto é a Guantanamo de Portugal. Aqui não se respeitam os direitos humanos», denunciou Jaime Giménez Arbe, de 51 anos, ao jornalista espanhol Matias Antólin, que publica hoje o resultado das conversas com o detido em 14 jornais espanhóis com os quais colabora e cujos excertos são divulgados, em Portugal, pelo Diário de Notícias.

"El Solitário", o assaltante mais procurado de Espanha, detido em Julho na Figueira da Foz quando se preparava para realizar mais um assalto a um banco, fala também de agressões aos detidos e acusa os guardas prisionais de abrirem "clandestinamente" a correspondência e se apropriarem do dinheiro que está nos envelopes.

«Quando querem anular-nos psicologicamente obrigam-nos a despir e chegam, inclusivamente, a tocar-nos nas partes nobres», acusou Jaime Giménez Arbe, acrescentando que é proibido receber chamadas e só é possível realizar dois telefonemas semanais de cinco minutos para "familiares previamente comprovados e fiscalizados pela direcção da prisão".

Queixa-se ainda de ter apenas um hora no pátio e de alta segurança significar, na prática, "sequestro e incomunicação", já que segundo afirma nem as comissões de direitos humanos que visitam Monsanto têm autorização para falar com os prisioneiros.

Por tudo isto, adianta que se prepara para apresentar queixa contra o Estado português por maus-tratos.

Apontado como autor de 36 assaltos, El Solitário é acusado apenas em quatro processos efectivos de roubo em Espanha e Portugal. Sobre ele pendem ainda acusações de homicídio de dois guardas civis em Junho de 2004.

No início desta semana deverá partir para Espanha, onde tem audiência marcada no dia 17 no Tribunal de Tudela, Navarra.

O Tribunal da Relação de Lisboa (TRL) aceitou um pedido de entrega temporária de Jaime Gimenez Arbe ao tribunal de Tudela, por um período de dois meses para aí se realizar a instrução de um processo pendente contra "El solitário", que era procurado pelas autoridades espanholas por assaltos a bancos e crimes de homicídios.

Desta forma, "El Solitário" deverá ser transferido, durante dois meses, para Navarra, regressando posteriormente a Portugal.

O seu pedido de extradição para Espanha foi diferido em Setembro pelo Tribunal da Relação de Lisboa, mas a sua entrega às autoridades espanholas está suspensa até que seja julgado em Portugal pelos crimes de que está indiciado.

Director-Geral nega acusações

O director-geral dos Serviços Prisionais, Rui Sá Gomes, já veio negar "categoricamente" as acusações de alegados maus-tratos: «Rejeito categoricamente [a existência de maus-tratos]. É tudo mentira. Essas acusações não são verdade».

Adiantou também que as queixas são recorrentes da parte do "El Solitário", já foram investigadas pelas "entidades competentes" - entre as quais a Inspecção-Geral da Justiça - e nada foi demonstrado.

com Lusa

Foto: DR
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