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Douro

Vitivinicultores derramam vinho pelas ruas da Régua em protesto simbólico

05 | 08 | 2010   23.57H

Cerca de duas centenas de pequenos produtores responderam hoje à chamada da Associação dos Vitivinicultores Independentes do Douro (AVIDOURO) e concentraram-se numa vigília em frente à sede do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP).

Os manifestantes muniram-se de velas, garrafões e pipos de vinhos e empunharam faixas onde se podia ler “Nós, durienses, não vamos deixar que levem o cadastro para o IVDP”, “Assalto aos poderes da CD [Casa do Douro] e aos lavradores” ou o “Douro exige do Governo a aprovação de todos os VITIS”.

O objectivo foi chamar a atenção para a “grave situação” que afecta a lavoura duriense.

Pelas ruas da Régua foi ainda derramado vinho, de um pipo e de garrafões.

A dirigente da AVIDOURO Berta Santos explicou que se tratou de um “ato simbólico”, para chamar a atenção para a lavoura duriense.

“Os agricultores não vendem o vinho, o que vendem é a preços baixos e com a agravante de que entregam as uvas sem preço estabelecido e ainda demoram anos a receber. Há vinicultores que não recebem o vinho desde 2004. Isto não pode continuar assim”, afirmou.

Manuel Mota Ribeiro, vitivinicultor em Guiães, diz-se com a “corda na garganta” e cansado de lutar.

É que, segundo as contas deste agricultor, há uns anos vendia a pipa de vinho tratado a mil euros, enquanto que agora é vendida a 950.

“Só que, entretanto, o custo dos fatores de produção aumentou muito, como os adubos, enxofres ou pesticidas”, acrescentou.

Manuel Mota Ribeiro fez questão de marcar presença nesta vigília, porque diz que “é preciso dar o recado ao senhor ministro da Agricultura para que tenha juízo”. “Tem que olhar para os que têm menos pipas de vinho” e não para os “grandes grupos económicos”.

Maria das Dores não tem dúvidas de que o agricultor “está cada vez mais pobre”.

“Ninguém tira o vinho de cá. Nós fazemos o vinho e ninguém o compra. É preciso deitá-lo pelas ruas abaixo. Ganham mais as pessoas que andam a trabalhar para nós do que nós”, salientou.

As preocupações dos viticultores viram-se ainda para o benefício (quantidade de mosto que cada viticultor pode destinar à produção de vinho do Porto).

“Quem tem duas ou três pipas de vinho daqui a pouco não tem nenhum, temos que ir trabalhar para os ricos”, salientou Maria das Dores.

Também Amália Ferreira se queixa da redução do benefício “ano após ano”.

“A quinta, que tinha 22 pipas de vinho tratado, agora tem 11. Isso não se admite. Os agricultores estão cada vez mais pobres e em vez de porem melhor, vamos cada vez mais para o charco”, descreveu.

Só que as soluções para o futuro também não são muitas. “Depois de velha vou viver de quê? Temos que andar ali de restos. Os outros é que o ganham e nós estamos ali na miséria”, concluiu.

Destak/Lusa | destak@destak.pt
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