Auditoria da Deloitte aponta para ilícitos da administração
Fonte ligada ao processo disse à Lusa que a análise às contas da empresa pedida a uma auditora externa, a Deloitte, é a principal prova na qual os juízes se podem basear para condenar o administrador executivo da empresa, Ramiro Raimundo.
O administrador de insolvência, Arnaldo Pereira, disse também à Lusa que o seu parecer vai “no sentido de a insolvência ser qualificada como culposa relativamente ao presidente do conselho de administração da Oleocom”, Ramiro Raimundo.
O relatório da Deloitte, a que a Lusa teve acesso, aponta para diversas transacções financeiras, entre a Oleocom e a Intracom - uma empresa sediada num paraíso fiscal e gerida pelos mesmos administradores da Oleocom, Ramiro Raimundo e os dois principais acionistas do Grupo Valouro, José António dos Santos e António José dos Santos.
O esquema identificado consistia na aquisição de matérias-primas para a Oleocom através da Intracom, cujas faturas tinham um preço mais elevado do produto face à fatura original enviada pelo fornecedor, retendo por isso a diferença.
Na conta bancária da Intracom, foram também identificados movimentos contabilísticos oriundos da Oleocom, em relação aos quais “não foi possível relacionar com transações comerciais” nem localizar “o suporte documental” da Oleocom a justificar as transferências de capital que saíam da empresa.
Em tribunal, Ramiro Raimundo assegurou que a “Intracom não tinha como objetivo transferir fundos para fora da atividade” mantida com a Oleocom.
Além da volatibilidade dos mercados e da crise dos cereais, a Deloitte aponta ainda como causa da insolvência a descapitalização da empresa, associada ao alegado esquema com a Intracom e à necessidade crescente de liquidez com recurso ao crédito bancário, tendo atingido no final de 2009 uma dívida de 95 milhões de euros.
Para resolver os problemas financeiros, eram contraídos empréstimos sobretudo por via do sistema de 'factoring', “recorrendo a práticas de antecipação e manipulação dos valores da faturação antes da data de entrega efetiva da mercadoria”.
Nos últimos três anos, a empresa, sediada na Lourinhã, dedicava-se à compra e venda de cereais a granel para a transformação em óleo de soja, cujas embalagens eram vendidas no mercado nacional, importando por ano um milhão de toneladas de cereais.





