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Iraque

Mais de 60% dos jovens apoiam "crimes de honra" - ONU

12 | 08 | 2010   20.45H

O Fundo da ONU para a População (UNFPA, na sigla em inglês) advertiu, no Dia Internacional da Juventude, sobre os principais problemas dos jovens, que representam quase 50 por cento dos habitantes do Iraque.

O relatório aponta que o Iraque é um dos Estados onde a juventude enfrenta um “futuro mais desanimador” devido à confusão e ao conflito que têm caracterizado o país desde há quase três décadas.

Muitos deles têm atitudes conservadoras e intolerantes. Cerca de 62 por cento, exemplifica-se, concordam que um membro da família mate uma rapariga se esta profanar a “honra” da linhagem, se bem que apenas 32 por cento admitma o mesmo se se tratar de um rapaz.

Para mais, metade dos inquiridos não tem amigos de uma religião diferente da sua.

Na sua quase totalidade (92 por cento), pensam que uma mulher deve pedir autorização a terceiros, homens, antes de procurar trabalho e 80 por cento entendem que esta só pode viajar se for acompanhada.

O documento atribui a intolerância a problemas educativos. Mais de 300 mil jovens iraquianos, entre os 10 e os 18 anos, nunca foram à escola, 65 por cento não sabem usar um computador e apenas 13 por cento usam a Internet.

Por outro lado, 30 por cento da população jovem está desempregada, o que representa mais do dobro da taxa nacional de desemprego.

Menciona-se ainda que 70 por cento dizem que não se interessam por nenhuma atividade cultural ou artística e 68 por cento não praticam nenhum desporto.

Em contraste, o texto aponta a elevada participação política da juventude iraquiana, com 70 por cento a votarem nas últimas eleições legislativas, de 07 de março, e 86 por cento a dizerem que tencionam fazê-lo nas próximas eleições.

Por outro lado, uma representante do secretário geral da ONU no Iraque, Christine McNab, sublinhou hoje, em comunicado, que o país árabe deve ultrapassar problemas de fundo para que os seus jovens constituam uma sociedade mais próspera e tolerante.

“Os desafios que enfrenta a juventude iraquiana, que nasceu sob um sistema de sanções e elevada violência, são muitos”, afirmou.

O desemprego, a falta de educação e oportunidades de desenvolvimento, bem como a exclusão social dos jovens, são alguns dos desafios para construir “um Iraque mais seguro, próspero e estável”, acrescentou na nota.

Para a funcionária da ONU, a celebração do Dia Internacional da Juventude, proclamado pela Assembleia Geral da ONU em dezembro de 2009, é uma oportunidade para que o “Iraque intensifique os seus esforços para incluir políticas que beneficiem os jovens”.

Destak/Lusa | destak@destak.pt

1 comentário

  • Para aí 70% dos jovens americanos não apoiaram a matança no iraque e afeganistão? Portanto, matança fútil e gratuíta?
    BLABLA | 13.08.2010 | 11.23Hver comentário denunciado
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