Caça

Rolas, pombos e aves migratórias ficam "na mira" de caçadores no domingo

21 | 08 | 2010   19.07H

Nesta época venatória, que proíbe cartuchos com granalha de chumbo nas zonas húmidas incluídas em áreas classificadas, os caçadores podem caçar desde hoje a rola (até 30 de setembro), a pomba-da-rocha (31 de dezembro), patos e outras sete espécies (20 de janeiro), o pombo-torcaz (20 de fevereiro) e a pega-rabuda (28 do mesmo mês).

A data de abertura do calendário venatório foi criticada por federações e associações de caçadores, descontentes por só poderem “disparar” uma semana depois do habitual, numa altura em alegam que “já não há rolas” nas regiões norte e centro.

A Federação Portuguesa da Caça (FENCAÇA) mostrou-se ainda descontente pelos “atrasos” no calendário, definido numa portaria em Diário da República a 27 de maio, mas depois alterado, numa portaria de 22 de julho, “a apenas um mês da abertura” da época.

Já as associações ambientalistas, criticam a falta de ordenamento, a permissão do abate de espécies em vias de extinção e "erros" no calendário venatório.

A Quercus considera "um contrassenso" que, no Ano Internacional da Biodiversidade, o Governo permita que se inclua a rola-brava, "uma espécie em vias de extinção", na lista de animais a abater.

A Liga para a Protecção da Natureza (LPN) classifica o calendário como um "mau exercício de gestão sustentável da caça" e reivindica, por exemplo, a revogação imediata das cinco novas espécies às quais se pode “atirar” este ano.

O MADRP assegurou que, ao definir este calendário venatório, a Secretaria de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural (SEFDR) procurou “conciliar os interesses” das organizações da caça e das ONG do ambiente, por a actividade cinegética ser “um pilar do desenvolvimento rural” e “em respeito pelos valores da vida selvagem”.

O ministério adiantou ainda que existe um “acordo”, com agentes do sector, para “se começar a trabalhar” num calendário venatório plurianual, “pelo período de três anos”, que pudesse entrar em vigor “na campanha 2011-2012”.

As associações da caça “disparam” contra a “excessiva” burocracia no setor, para a obtenção de licenças e documentos para caçar, e apontam também a Lei das Armas como motivo de discórdia, reclamando alterações.

O universo de caçadores encartados em Portugal está ligeiramente abaixo dos 300 mil, mas, na última década, indicam dados fornecidos à Lusa pelo MADRP, o país perdeu quase 80 mil caçadores praticantes, que rondaram os 145 mil na última época.

A caça o coelho-bravo, lebre e codorniz arranca a 05 de setembro, seguindo-se, a 03 de outubro, a raposa, saca-rabos, perdiz-vermelha e faisão e, no dia 01 de novembro, a galinhola, tarambola-dourada, pombo-bravo, tordos e outras quatro espécies.

Destak/Lusa | destak@destak.pt
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