Rolas, pombos e aves migratórias ficam "na mira" de caçadores no domingo
Nesta época venatória, que proíbe cartuchos com granalha de chumbo nas zonas húmidas incluídas em áreas classificadas, os caçadores podem caçar desde hoje a rola (até 30 de setembro), a pomba-da-rocha (31 de dezembro), patos e outras sete espécies (20 de janeiro), o pombo-torcaz (20 de fevereiro) e a pega-rabuda (28 do mesmo mês).
A data de abertura do calendário venatório foi criticada por federações e associações de caçadores, descontentes por só poderem “disparar” uma semana depois do habitual, numa altura em alegam que “já não há rolas” nas regiões norte e centro.
A Federação Portuguesa da Caça (FENCAÇA) mostrou-se ainda descontente pelos “atrasos” no calendário, definido numa portaria em Diário da República a 27 de maio, mas depois alterado, numa portaria de 22 de julho, “a apenas um mês da abertura” da época.
Já as associações ambientalistas, criticam a falta de ordenamento, a permissão do abate de espécies em vias de extinção e "erros" no calendário venatório.
A Quercus considera "um contrassenso" que, no Ano Internacional da Biodiversidade, o Governo permita que se inclua a rola-brava, "uma espécie em vias de extinção", na lista de animais a abater.
A Liga para a Protecção da Natureza (LPN) classifica o calendário como um "mau exercício de gestão sustentável da caça" e reivindica, por exemplo, a revogação imediata das cinco novas espécies às quais se pode “atirar” este ano.
O MADRP assegurou que, ao definir este calendário venatório, a Secretaria de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural (SEFDR) procurou “conciliar os interesses” das organizações da caça e das ONG do ambiente, por a actividade cinegética ser “um pilar do desenvolvimento rural” e “em respeito pelos valores da vida selvagem”.
O ministério adiantou ainda que existe um “acordo”, com agentes do sector, para “se começar a trabalhar” num calendário venatório plurianual, “pelo período de três anos”, que pudesse entrar em vigor “na campanha 2011-2012”.
As associações da caça “disparam” contra a “excessiva” burocracia no setor, para a obtenção de licenças e documentos para caçar, e apontam também a Lei das Armas como motivo de discórdia, reclamando alterações.
O universo de caçadores encartados em Portugal está ligeiramente abaixo dos 300 mil, mas, na última década, indicam dados fornecidos à Lusa pelo MADRP, o país perdeu quase 80 mil caçadores praticantes, que rondaram os 145 mil na última época.
A caça o coelho-bravo, lebre e codorniz arranca a 05 de setembro, seguindo-se, a 03 de outubro, a raposa, saca-rabos, perdiz-vermelha e faisão e, no dia 01 de novembro, a galinhola, tarambola-dourada, pombo-bravo, tordos e outras quatro espécies.


