Homem que se fazia passar por médica não teve acesso a informação clínica das vítimas, diz PSP
A PSP deteve na quinta-feira um homem de 46 anos, vendedor, residente em Vila das Aves, Santo Tirso, suspeito de ser o responsável pelo encaminhamento de várias mulheres para o Instituto Português de Oncologia do Porto e Hospital de S. João, dizendo-lhes, telefonicamente, que lhes tinha sido diagnosticado um cancro.
Em declarações aos jornalistas, o comissário Fernando Silva, do Departamento de Investigação Criminal da PSP/Porto, referiu esta manhã que, pelo telefone, o detido “intitulava-se médica do Serviço Nacional de Saúde e levava as pessoas a fazerem testes e rastreios, nomeadamente apalpação e masturbação, sempre com a desculpa de que havia algum problema”.
“As pessoas dirigiam-se no dia seguinte ao hospital e eram informadas que não havia aquela médica”, esclareceu, acrescentando que “o modus operandi” do suspeito era sempre o mesmo.
O suspeito ligava aleatoriamente para qualquer pessoa e, através do “poder de argumentação e retórica”, levava a crer que se tratava de uma médica de um serviço hospitalar, levando depois as vítimas a praticarem actos sexuais, sendo que por vezes o telefonema durou “horas”.
Para a PSP, o homem, que é suspeito da prática dos crimes de usurpação de funções, coacção sexual, ofensa a pessoa colectiva e devassa da vida privada, tinha apenas como objectivo ter algum prazer sexual.
“Quando havia telemóvel 3G, o suspeito pedia à vítima para gravar e depois lhe enviar as imagens, mas não era comum”, acrescentou.
Fernando Silva disse ainda que o suspeito não tem antecedentes criminais e que, por ocasião da detenção, na quinta feira, pelas 17:00, na via pública, em flagrante delito, não ofereceu qualquer tipo de resistência.
O número de mulheres que terá caído nesta fraude poderá chegar às “várias dezenas”, admitiu o comissário, acrescentando que, para já, foram já cerca de 15 as vítimas ouvidas da zona norte.
Até ao momento a investigação apenas dá como certo o uso do nome daquelas duas unidades hospitalares do Porto, sendo que pesquisa da polícia surgiu há cerca de sete meses, na sequência de uma queixa apresentada pelo IPO.
“Temos dois hospitais, pelo menos, mas a investigação não terminou e podem surgir mais”, disse Fernando Silva.
A PSP admite que inicialmente pensou que o suspeito fosse uma mulher, mas a verdade é que ele “mudava a voz”, não utilizando nenhum tipo de mecanismo para a alterar.
Na sequência da detenção, a PSP realizou duas buscas domiciliárias, mas nada encontrou relacionado com este caso.
No início do mês, o Conselho de Administração do Hospital de S. João denunciou publicamente que uma falsa médica andava a encaminhar várias mulheres para aquela unidade, diagnosticando-lhes por telefone cancro do útero ou da mama.
A situação não era nova, tendo episódios que remontam a 2008, pretendendo o Hospital com a denúncia alertar o público para que se fosse contactado pela falsária, percebesse que estava “a ser objecto de fraude”.
Questionado se o suspeito agora detido será o responsável pelos casos de 2008, o comissário da PSP afirmou que “é possível” mas que não há, para já, qualquer confirmação.



