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Bairros Críticos

“O Lagarteiro está esquecido de tudo, não tem nada”

29 | 08 | 2010   19.46H

“Estamos aqui esquecidos de tudo. Não temos nada. Só há duas mercearias, não há multibanco… Se chamarmos um táxi, não vem… Fizeram aqui ao lado uma coisa bem bonita, o Parque Oriental, mas as pessoas não vêm”, lamenta Margarida Olímpia Sousa, de 44 anos, residente no bairro há 18 anos.

Inserido no projecto interministerial “Bairros Críticos”, o Lagarteiro tem equipas e iniciativas no terreno desde fevereiro de 2009, mas os moradores dizem que pouco mudou.

“As atividades que fizeram não foi para os idosos, foi para as crianças. E são precisas, para as elas não pensarem em asneiras. Mas o bairro precisa de obras. E de acabar com a bicharada, que temos baratas a entrar em casa como se fossem mosquitos”, critica Maria Elvira Carneiro, 54 anos.

Patrícia Moura, 27 anos, também tem mais expectativas em relação ao projecto, lançado em janeiro de 2006 para intervir física, social, económica e culturalmente em três bairros.

“Das obras estamos à espera aos anos. E o que faz mais falta até é um infantário, porque o que existe tem salas do tamanho do meu quarto com 10 a 14 crianças. Fazem actividades, mas deviam fazer mais: um lar para a terceira idade e um parque infantil para as crianças brincarem”, explica a jovem desempregada.

Oficinas de música, dança e Jornalismo, e um curso de inclusão para 14 mulheres são algumas das iniciativas que o “Bairros Críticos” tem em curso.

O presidente da junta de freguesia de Campanhã, Fernando Amaral, admite que o que as pessoas mais anseiam é a reabilitação do edificado, fundamental para que “sintam aquele espaço como seu”, defendendo, para isso, a criação de “uma espécie de condomínio”.

As obras de requalificação de nove das 13 torres e do espaço público, bem como a construção de um equipamento multifunções (o investimento global é de 5,6 milhões de euros) estão prometidas pela Secretaria de Estado do Ordenamento do Território e das Cidades para finais de setembro.

Os moradores já tiveram tantas promessas que desconfiam. “Obras? Ouço falar nisso há não sei quantos anos. Há dois anos houve uma reunião para dizerem que ia começar em março… até hoje”, critica Maria de Lurdes Pereira, de 71 anos.

A moradora acha que “as obras não resolvem tudo” e lembra o pedido feito à Câmara para mudar “para um rés-do-chão” e para trocar a banheira por um poliban. “Tenho as minhas coisas para fazer, mas não tenho pernas”, lamenta, agarrada às muletas que a ajudam a movimentar-se mas que não dispensam a ajuda da filha.

Composto por 13 blocos e 446 fogos onde vivem 1766 pessoas, o bairro fica na zona oriental do Porto. Mais de 90 por cento dos agregados familiares “vivem do Rendimento Social de Inserção”, adianta Fernando Amaral.

O autarca confia que o projeto vai mudar o bairro: “Espero que mude tudo. É um projecto transversal e essa é uma das suas virtudes, porque chama a atenção para todos os problemas”, frisou, observando que o Lagarteiro tem, “de facto, muitos problemas e todos eles carecem de um tratamento especial”. “O tecido social tem que ser tratado com pinças”, alerta.

Destak/Lusa | destak@destak.pt

2 comentários

  • "...90% dos agregados vivem do rendimento minimo"!! Veja-se!! Veja-se!! Mas tudo fuma e a venda de Droga é aos montes e sei do que falo!! Infelizmente sei do que falo!! A melhor opção era mas é demolir o bairro, isso sim era uma boa aposta!!
    Revoltado | 30.08.2010 | 21.18Hdenunciar comentário
    Tem a certeza que pretende denunciar este comentário? sim não
  • Os inúteis e desnecessários carros que os xuxalistas compraram para os politicos e boys já dava para muita coisa, mas para eles os outros não conhecem, só eles.
    barbarrussa | 29.08.2010 | 22.02Hdenunciar comentário
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