«Os deuses estão no palco, não nos gabinetes»
Dominique Meyer, o primeiro francês a dirigir a Ópera de Viena, disse à AFP que vai dar prioridade aos artistas, porque "os deuses estão no palco, não nos gabinetes", e procurar "uma maior modernidade".
Nesse sentido, Meyer promete "mais óperas contemporâneas e estreias", "o renascimento do bailado" e "o desenvolvimento de espectáculos para crianças".
Anunciou igualmente "o regresso do barroco" e propôs "repor em primeiro plano Wolfgang Amadeus Mozart" (1756-1791) na velha Staatsoper da capital eurtopeia da música.
O alsaciano Dominique Meyer, filho de diplomata, é um economista que se tornou homem da cultura e abandona o teatro dos Campos Elísios de Paris, que dirigia desde 1999. Substitui o austro-romeno Ioan Holender, criticado por ter deixado instalar a rotina, após 18 anos nas funções.
O novo director musical, o maestro Franz Welser-Möst, 49 anos, é considerado "um dos maestros mais dotados da sua geração" e substitui no cargo o japonês Seiji Ozawa.
Para dirigir a dança, Meyer levou o compatriota Manuel Legris, 45 anos, uma estrela da Opéra de Paris formada pelo russo Rudolf Nureyev.
Para dar um novo fôlego à Ópera de Viena, Meyer decidiu aumentar de quatro para seis o número de criações anuais, com o regresso de duas óperas contemporâneas há muito ausentes da sala: "Cardillac" do compositor Paul Hindemith (1895-1963) e "Katia Kabanova" do checo Leos Janacek (1854-1928).
"Penso que Janacek é um dos acontecimentos mais importantes do desenvolvimento do repertório internacional nos últimos 20 anos. São óperas ótimas, com uma música muito bela, libretos fantásticos e, ainda por cima, ele era vizinho de Viena", sublinhou Dominique Meyer à AFP.
A ópera barroca, banida na era Holender, começará com "Alcina", do compositor alemão Georg Friedrich Händel (1685-1759), dirigida pelo maestro francês Marc Minkowski.
No país natal do compositor, o ciclo Mozart arranca com "As Bodas de Fígaro", sob a direcção de Franz Welser-Möst e encenação do francês Jean-Louis Martinoty, já em ensaios.
Quanto ao bailado, Dominique Meyer fala de "vontade de criar uma categoria de super-solistas", dado que "o bilhete de identidade de um grande ballet são também os seus solistas". Anuncia cinco estreias, uma homenagem ao coreógrafo Jerome Robbins e, a terminar cada temporada, uma Gala Nureyev. A companhia fará digressões no Japão, Estados Unidos, Inglaterra e Espanha.
Meyer sublinha que "o coração da casa é a orquestra, a Filarmónica de Viena" e anuncia digressões no estrangeiro para concertos sinfónicos e óperas, em versão cénica e em versão concerto: "serão acontecimentos vienenses no estrangeiro centrados na música vienense".
O último ponto do programa do novo diretor contempla "o desenvolvimento de espetáculos para crianças, cuja função pedagógica para o futuro da ópera e do bailado junto dos jovens é essencial".






