Dezenas de curiosos aguardam sentença sem o entusiasmo de outros tempos
Muito mais calmos do que os grupos de anónimos que acompanharam as detenções e aparições dos arguidos neste processo, quando foram detidos há sete anos, estes espetadores da derradeira fase do julgamento Casa Pia estão ordeiros e pacíficos, sendo, além disso, poucos.
No exterior do Campus da Justiça de Lisboa ouvem-se sentenças, traçam-se perfis dos arguidos e das vítimas e comentam-se os destinos dos envolvidos neste caso.
Um grupo de sexagenários proferiu a sentença, antes mesmo do início da leitura do acórdão: “Isto vai ficar tudo em águas de bacalhau”.
Uns metros adiante, duas mulheres insistem na teoria da cabala, com uma delas a garantir que “ele [Carlos Cruz] jamais faria uma coisa dessas”.
Essa “coisa” são os abusos sexuais de que Carlos Cruz é acusado e que, para Maria Helena, 58 anos, jamais seriam praticados por “tal pessoa de bem”.
“É impossível. Cresci a conhecê-lo e sei que está inocente. É uma pessoa que sempre despertou invejas e, por isso, está a ser julgado”, disse à Lusa.
Temporariamente desempregada, Maria Helena assiste serenamente à passagem dos arguidos em direção ao tribunal. Dos outros nada sabe, nem arrisca sentenças, mas do “seu” Carlos Cruz não tem dúvidas de que está inocente.
Indiferente ao desfecho do processo, Irene (78 anos) e Ilda (60 anos) vão propagando a palavra de Deus, aproveitando o aglomerado de gente junto ao Campus da Justiça.
Da Justiça dos homens, estas mulheres nada sabem nem arriscam prognósticos, mas garantem que Deus vai castigar quem cometeu os crimes, afirmam à Lusa, ostentando a Bíblia com ar profético.
Nas últimas duas horas, o Campus da Justiça encheu-se de gente, sobretudo jornalistas, que se movimentam em aglomerado sempre que um arguido ou pessoa ligada ao processo chega ao local.
São poucas dezenas os curiosos que quiseram assistir à leitura do acórdão. Nas conversas, revelam-se descrentes na Justiça e duvidam de que isto “fique por aqui”.
João Semedo, 72 anos, administrativo da Função Pública aposentado, aponta o dedo aos "poderosos" e afirma: “Na última semana, Carlos Cruz teve mais tempo de antena do que o primeiro ministro. Sócrates deve agradecer-lhe. Falou-se menos na crise”.
Em tribunal respondem, por alegados crimes de pedofilia envolvendo alunos da Casa Pia de Lisboa, os arguidos Carlos Silvino, ex-motorista da Casa Pia, o ex-provedor da instituição Manuel Abrantes, o médico João Ferreira Diniz, o advogado Hugo Marçal, o apresentador de televisão Carlos Cruz, o embaixador Jorge Ritto e Gertrudes Nunes, dona de uma casa em Elvas onde alegadamente ocorreram abusos sexuais.




1 comentário
AFINAL EM PORTUGAL AINDA SE PRODUZEM GRANDES OBRAS! OS PODEROSOS ESTÃO AGORA MAIS AFLITOS E COM A CERTEZA DE QUE UM DIA PODERÃO SER TAMBÉM “ATIRADOS PARA O FUNDO DO POÇO” QUANDO PREVARICAM! BEM HAJAM TODOS AQUELES PROFISSIONAIS DO FORO QUE CONDENAM OS MALFEITORES E DÃO NOVAS ESPERANÇAS A PORTUGAL!