Líder do PSD critica compra de viaturas pelo Estado de 35 milhões
"É um sintoma dos tempos que vivemos que em Inglaterra a notícia seja a de que o primeiro ministro decidiu que os membros do Governo, por norma, tivessem de se deslocar em transportes públicos e que em Portugal a notícia seja a de que o Estado decidiu comprar até ao final do ano mais 2500 viaturas, gastando 35 milhões de euros. Esta é a diferença", criticou Pedro Passos Coelho.
O presidente do PSD, que falava no encerramento da Universidade de Verão dos sociais democratas, em Castelo de Vide, respondeu à promessa do primeiro ministro, José Sócrates, de não deixar cair o tema da revisão constitucional, acusando o PS de mudar de posição.
"Foi dito, sem qualquer rigor, e sem outro propósito que não o de assustar o país, que nós queremos acabar com a escola pública, queremos acabar com a saúde pública e queremos o livre despedimento em Portugal. E, com esta trilogia, há agora quem ache que vale a pena discutir a revisão constitucional", disse Passos Coelho.
"Imaginem, todos aqueles que têm até hoje dito que não é oportuno, que o PSD só devia suscitar esta questão depois das presidenciais, que esta questão não é importante. Em dois meses, isto passou a ser importantíssimo", observou.
Passos Coelho acusou o PS de "falta de decoro” e de querer "criar um clima de falsa tensão no país" e reiterou que a sua intenção é retirar carga ideológica à Constituição da República portuguesa.
O presidente do PSD considerou que se trata de "uma tarefa difícil", que implica "o envolvimento do PS", referindo que nas revisões passadas, "depois de muita insistência, o PS veio atrás".
"E de cada vez que foi feita uma grande revisão da nossa Constituição, o país viveu melhor. Nós temos agora a oportunidade de fazer uma última grande revisão da Constituição. E, depois disso, se a conseguirmos fazer, talvez possamos ficar como aqueles países mais normais que não têm de andar a cada cinco anos a mexer na sua Lei Fundamental", argumentou.




