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Regresso às Aulas

«Eu não quero ir à escola!»

06 | 09 | 2010   13.17H

Odiei a escola primária, por isso solidarizei-me sempre com todas as crianças que encaram o regresso às aulas como um pesadelo. Foi por elas, também, que ao longos destes anos fui pedindo aos professores, psicólogos, pediatras, e outros pais com que me fui cruzando estratégias que pudessem ajudar a vencer os obstáculos. Porque, convenhamos, ir à escola não devia ser um pesadelo.
Aqui ficam algumas estratégias. A bem do seu filho (com quem me identifico plenamente), espero que resultem.

1. Não Negue. Ele diz “odeio ir à escola”, e você, angustiado, responde “Não odeias nada, filho!”. É uma forma, infantil, de procurar que o problema desapareça por si. É mais difícil, mas tem melhores resultados, aceitar o protesto dele, e ouvir as suas razões. Também não dramatize. A sua ansiedade contagia-se, e se ele disser “Tenho medo de lá ficar sozinho” e você responder “Filho, em dez minutos ponho-me lá”, está a transmitir-lhe a ideia de que pode, realmente, ser necessária a sua presença para o salvar. Num caso como esse, por exemplo, é mais sensato explicar-lhe que na escola há adultos que podem lidar com qualquer situação.

2. Perceba o que ele odeia na escola. É meio caminho andando para a solução. Normalmente as crianças detestam:

a) Sentir que não acompanham o ritmo de aprendizagem dos outros – o problema pode ser imaginado ou real. Se o seu filho for um aluno muito capaz, mas muito competitivo é provável que se esteja sempre a comparar com os outros, e a tomar nota de todas as suas próprias falhas. Provavelmente, pode pedir subtilmente à professora que lhe dê sinais visíveis do seu sucesso, de forma a combater essa insegurança. A boa notícia, é que habitualmente essas crianças, refilam para ir à escola, mas se lhes disser “então não vás”, são as primeiras a responder “e deixar que o Daniel me passe, nem pense nisso!». Se o problema for real, terá de falar com a professora dele e montar uma estratégia que o ajude a ganhar confiança e conhecimentos fora do palco da aula colectiva. Eu, por exemplo, tinha dislexia e gostei imenso de receber “explicações” que além de me ajudarem com as dificuldades concretas, me deram a oportunidade de estar “uma a um” com um professor, que por sua vez teve tempo para me conhecer e valorizar. Ah, obviamente que é preciso descartar problemas de visão e audição, que podem tornar um dia na escola numa tarefa impossível.

b) ser alvo da troça alheia. Nem é preciso chegar ao extremo do bullying, basta que por alguma razão o seu filho se tenha tornado motivo de riso entre os colegas da aula. As crianças têm de aprender a ter poder de encaixe e a rirem-se de si próprias (é fundamental para a vida), por isso ajude-o a ser capaz de o fazer. Se, no entanto, achar mesmo (e durma uma noite sobre o assunto, antes de decidir) que ele está a ser ridicularizado, fale com a professora, e peça-lhe ajuda.

c) Não ter amigos. Não tem graça nenhuma estar na escola sem cúmplices e amigos. Nem na escola, nem em mais lado nenhum. Mas como não pode entrar pelo recreio a dentro e ordenar aos outros meninos que brinquem com o seu ( e sabe Deus que vontade temos de o fazer!), experimente convidar um ou dois colegas de que o seu filho mais goste para passarem um dia do fim de semana com ele. Às vezes é preciso sedimentar alianças fora da escola, para que continuem lá dentro. Se não resultar, peça ajuda aos professores ou ao monitor do recreio. Na escola de uma das minhas filhas, havia sempre um ou dois professores que na hora do recreio assentavam arraiais por ali, um tocava viola e outro fazia jardinagem, agregando ao seu lado os alunos mais solitários, que por sua vez se uniam entre si – é uma boa solução, até para evitar que os recreios se tornem terra de ninguém onde toda a violência é possível.

d) Achar que a professora não gosta dele. Do tempo em que os nossos pais tomavam logo o partido da professora ( “Mas e tu, o que é que fizeste”, perguntavam à primeira queixa), aparentemente passou-se para um tempo em que a criança tem sempre razão. Evidentemente, que o bom-senso aconselha a que se procure um meio-termo. Num primeiro momento dê colo, mas logo depois tente perceber o que se passa. Ajude-o a perceber as razões da professora, mas se achar de facto (e mais uma vez, durma sobre o assunto) a professora se excedeu, vá falar com ela. Por amor de Deus, não apareça por lá de sete pedras na mão, porque assim não ajuda ninguém. Oiça e transmita-lhe o ponto de vista do seu filho, e é provável que cheguem a um consenso. Se não chegarem, fale com o director da escola. Os nossos filhos têm de acreditar que somos capazes de os defender, e têm de acreditar que o sistema é justo, mas também precisam do exemplo de pais capazes de negociar soluções.

Se depois de tudo isto ele passar a gostar um bocadinho mais da escola, óptimo. Se vir que nada disto resulta, pense na possibilidade de encontrar outra escola para o seu filho. Às vezes, mudar e fugir dos rótulos que já nos puseram e que nós já pusemos aos outros é a única solução.

Isabel Stilwell | editorial@destak.pt
Foto: 123RF
«Eu não quero ir à escola!» | © 123RF

1 comentário

  • Simples para o puto ir à escola. Duas bofetadas bem dadas no focinho mais umas chicotadas no traseiro e ele vai logo a correr para à escola.
    chicote | 31.10.2010 | 15.30Hver comentário denunciado
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