Câmara dá parecer favorável a estudo prévio sobre pisos do Terreiro do Paço
A Sociedade Frente Tejo propõe alterar os usos na ala nascente (espaços atualmente ocupados pelo Ministério das Finanças e respectivo torreão), com a maior parte do piso térreo ocupado por três restaurantes, uma galeria de exposições/livraria e o espaço Montra Portugal, que inclui o Centro de Interpretação do Terreiro do Paço.
A emissão do parecer foi aprovada com a abstenção de toda a oposição (PSD, CDS e PCP).
O PSD mostrou-se satisfeito por haver uma intervenção na praça, mas a vereadora Mafalda Barros considerou não ter sido disponibilizada toda a documentação técnica necessária a uma apreciação.
O presidente da autarquia, António Costa (PS), referiu que o estudo prévio nem tinha obrigatoriamente de ir a reunião do executivo, tendo a sua discussão sido uma “gentileza” da Frente Tejo: “Temos de nos pronunciar sobre os usos propostos, a arquitectura não está em causa.”
António Carlos Monteiro, do CDS, questionou o motivo de estarem previstos apenas quatro restaurantes “enormes”, quando o espaço podia ser ocupado por mais restaurantes, mais pequenos. Além disso, apontou, “não está resolvida a acessibilidade para deficientes”.
Por sua vez, Miguel Tiago (PCP) disse não ter grandes objecções contra a proposta, mas sublinhou que a densidade sugerida “levanta algumas dúvidas” sobre qual será o papel da autarquia e que possibilidades de intervenção haverá para “salvaguardar a nobreza do espaço”.
Segundo a proposta, na área onde será instalado o centro de interpretação é proposta a demolição de duas paredes, obra a que, apesar das reservas colocadas pelo Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (IGESPAR), a Direcção Municipal de Conservação e Reabilitação Urbana deu luz verde.
“O princípio de se manter tudo o que é anterior a 1900 é um princípio tão válido como outro qualquer, se não se entender o que foi feito e o que se pretende fazer”, refere o parecer deste serviço da autarquia.
A intervenção insere-se no plano de requalificação e reabilitação urbana da frente ribeirinha de Lisboa e foi aprovada por deliberação do Conselho de Ministros, a 15 de maio de 2008.





