Inês de Medeiros e Vasco Graça Moura: pontos de vista diferentes sobre os ciganos
Em declarações à Lusa, Vasco Graça Moura, ex-eurodeputado do PSD, vê a situação de forma diferente e considera que há "uma enorme polémica que está muito distorcida pela esquerda".
Em causa estão as recentes expulsões de França de cerca de mil cidadãos romenos e búlgaros de etnia cigana, uma questão que tem suscitado um aceso debate na Europa.
Em Junho, o Presidente francês, Nicolas Sarkozy, anunciou o endurecimento da política de segurança no país, incluindo o desmantelamento de centenas de acampamentos ilegais da comunidade cigana.
Já em Agosto, o governo francês anunciou também que tenciona apresentar alterações à lei no sentido de permitir repatriar estrangeiros "em caso de ameaça à ordem pública devido a roubos repetidos ou mendicidade agressiva".
Inês de Medeiros, que tem residência em França, afirma que "é grave" o que se está a passar.
"Estamos a ultrapassar um limite que não se deve ultrapassar. Sabemos que o Presidente Sarkozy já tinha ganho as eleições com um discurso muito à direita para tentar recuperar os votos da Frente Nacional (extrema-direita), neste momento em que se sente aflito e volta a baixar nas sondagens por múltiplas razões volta a ter a mesma estratégia", acusa.
"Não há imigrantes de um tipo e imigrantes de outro", afirma a deputada e actriz, lembrando que os repatriados pertencem a países da União Europeia.
"Isto não é a Europa que todos nós que somos a favor da Europa defendemos. Para mim, que sou uma europeísta, que sempre defendi a Europa, isto é uma deriva gravíssima ao nível europeu e as instâncias europeias têm que reagir veementemente, têm que não aceitar", considera.
Vasco Graça Moura, ex-eurodeputado do PSD, escritor, tradutor de autores franceses como Racine e Molière e condecorado pela França em finais de 2008, admite que tenha havido erros na forma como foi operada a expulsão por parte das autoridades franceses, mas fundamentalmente crê que o Governo de Sarkozy está empenhado em assegurar a ordem.
"Está-se a chegar a um ponto em que provavelmente em França se sentiu a necessidade de uma intervenção mais dura e de fazer respeitar a lei e essas medidas, se forem criteriosamente aplicadas e sobretudo judicialmente aplicadas, têm que ser encaradas nessa perspetiva", afirmou.
Para o escritor, "o governo francês está fazer o possível para assegurar a ordem e o respeito da propriedade privada e a segurança dos seus cidadãos".
Muitos distúrbios, "tropelias e crimes de toda a ordem" que nos últimos anos ocorreram nos arredores das grandes cidades são "provocados por gente que não era originariamente francesa", aponta, acrescentando que são as estatísticas que o mostram.





4 comentários
A realidade é bem diferentE minha senhora.