Música

Boss AC estreia-se no fado

09 | 09 | 2010   10.43H

O fadista defende “um fado imediato e ao pulsar do quotidiano” o que, segundo disse à Lusa "se reflete neste álbum" que é editado segunda-feira.

Os temas da actualidade “indo ao encontro do fado como crónica do quotidiano” pautam o novo disco acentuadamente tradicional e em que escapam a este alinhamento “Valsa das paixões” (T. Torres da Silva/Tiago Machado) que interpreta com Mafalda Arnauth e “A cor do céu em mim", explicou o fadista à Lusa.

“Homem do Saldanha” fala de um idoso que marca as noites entre o Saldanha e Picoas acenando a quem passa. Este é um dos temas “retintamente quotidianos” e tem letra de Boss AC que se estreia nas lides fadistas e assina ainda “Ninguém vê”, com música de Nando Araújo e Tiago Machado.

Para cantar este fado, Marco convidou Carlos do Carmo, “um amigo, um conselheiro”. “Passo algumas horas em sua casa para o ouvir e tentar aprender”, acrescentou.

Tiago Machado, autor de temas como “Ó gente da minha terra” e “Os anéis do meu cabelo”, assina também a música de “Homem do Saldanha” e garante a produção executiva com Tiago Palma.

“O Tiago [Machado] é um amigo e a ideia deste álbum surgiu no Festival da RTP onde defendi uma canção dele e da Inês Pedrosa [“Em água e sal”] que com um arranjo mais sóbrio integra este CD”, disse o fadista.

“Ao longo do álbum fomos trocando impressões e os temas foram surgindo. Para mim os fados têm uma urgência que implica experimentá-los logo, não se podem guardar”, argumentou.

Contrariando este argumento surge no álbum, “A cor do céu em mim” (Ernesto Leite) que estava na gaveta “mas o Tiago Machado encontrou onde lhe colocar umas cordas e gravámos”.

Referindo-se a “Água em sal”, Marco Rodrigues afirmou que “tem uma matriz de portugalidade que é quase um fado”.

“Por outro lado, a minha interpretação dá-lhe o carisma fadista”, disse entre risos.

Tiago Torres da Silva, poeta que lhe foi apresentado por Mafalda Arnauth, é o autor de quatro temas, um deles composto para uma junção de cinco fados tradicionais.

Intitulado “Rapsódia do fado que ninguém quer” integra com arranjos de Tiago Machado os fados tradicionais Alvito, Georgino, Pedro Rodrigues, Sem Pernas, e o Corrido Manuel de Almeida.

Marco Rodrigues assina os fados “O inverno do fado” e “Onde vou”, ambos com letras de Miguel Martins, autor que incluiu já no anterior álbum.

Marco Rodrigues toca viola há seis anos e acompanha-se em quatro temas, nos restantes o instrumento é garantido por Carlos Manuel Proença.

Do grupo de músicos constam ainda José Manuel Neto na guitarra portuguesa em 11 temas, no 12.º o guitarra é Luís Guerreiro, e o baixo acústico Yami num tema apenas.

Tiago Machado garante harmónica num tema e piano em dois outros, sendo ainda de referir Sertório Calado (percussões), Bárbara Duarte Barbosa e Jeremy Lake (violoncelo), Jorge Teixeira (viola de arco) e os violinistas Vasco Broco e Pedro Pacheco.

Destak/Lusa | destak@destak.pt
Foto: DR
Boss AC estreia-se no fado | © DR

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