Quatro pilares do Estado Social com 'brecha' de 2499 milhões
Cidadãos, empresas e instituições, praticamente ninguém escapa aos fortes cortes impostos pelo Orçamento de Estado (OE) para 2011. Além das implicações no rendimento disponível dos portugueses e na competitividade empresarial, o documento também reforçou a discussão sobre o futuro do Estado Social, nomeadamente se este está em causa.
As opiniões dividem-se, mas a verdade é que os chamados quatro pilares do Estado Social vão receber menos 2499 milhões de euros em 2011. Os cortes afectam o combate à pobreza na Segurança Social (984 milhões), o Serviço Nacional de Saúde (599), a Educação (803) e o Ensino Superior e Acção Social (103).
Independentemente destes valores, José Sócrates voltou ontem a defender o OE proposto pelo seu Governo, garantindo que «é absolutamente indispensável e necessário» para o país «enfrentar as suas dificuldades». Mais do que isso, o primeiro-ministro assegurou que o documento «protege o modelo social» em que Portugal quer viver. Mas se o chefe do Executivo insiste nesta ideia - ontem à tarde acabou por repetir o que já havia dito numa entrevista a um jornal económico - nem por isso convence o PSD.
Para o líder parlamentar dos sociais-democratas, «depois desta proposta de OE, falar de protecção do emprego e defesa do Estado Social como faz o primeiro-ministro é uma ofensa aos portugueses». Miguel Macedo acrescentou que José Sócrates nunca mais tem autoridade para falar» neste assunto, «depois da forma como governou o país».
Desta forma, e apesar de hoje decidir o que fazer quanto ao OE, o PSD não abranda nas críticas ao Governo. Ainda assim, Passos Coelho poderá viabilizar o documento se o PS aceitar diluir os sacrifícios propostos por 2011, 2012 e 2013. Ou seja, em vez de aumentar tanto os impostos em 2011 de forma a baixar o défice para 4,6%, o Estado assumiria que essa meta não pode ser atingida já no próximo ano, dando garantias - mediante um acordo de regime entre PS e PSD - de que a taxa chegaria aos 3% em 2013.
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OPOSIÇÃO
CDS e BE exigem mais explicações ao Governo
O CDS-PP considera «preocupante» o facto de o OE apresentar os mesmos dados de 2010 sobre as transferências do Estado para as empresas públicas. Ou seja, o Governo não revela o que vai gastar este ano com essas empresas nem a verba prevista para o próximo.
Já o BE quer ver desvendados os «dois capítulos secretos» do OE. Por um lado, quando serão incluídos nas contas públicas os 4500 milhões de euros gastos com o BPN; por outro, o porquê de o OE ter 3 mil milhões de euros a mais (a dívida é de 11 mil milhões quando o défice é de 8 mil milhões). O BE quer ainda uma auditoria às parcerias público-privadas e a criação de um imposto único sobre o património.
Por sua vez, Os Verdes requereram o adiamento para a primeira semana de Novembro da discussão do OE face à «violação dos prazos de apresentação» do documento.
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GREVE
Trabalhadores do Fisco vão parar durante 20 dias
Num momento de reflexões e decisões em torno da hipótese de adesão à greve como forma de protesto contra as medidas de austeridade, os trabalhadores dos impostos anunciaram ontem que vão parar durante 20 dias, a partir de dia 3 de Novembro.
Já a FNE (Federação Nacional da Educação) lamentou «a incapacidade e incompetência» do Governo ao falhar no que prometeu há nove meses. A federação foi ainda mais longe ao dizer que a proposta de OE é «um ataque brutal» aos trabalhadores da administração pública.
No sector da Justiça, o presidente da Associação Sindical de Juízes associou a redu-ção salarial da classe ao processo Face Oculta e ao facto de terem «incomodado os boys do PS». No entanto, o ministro da Justiça garante que os cortes não foram retaliação.
Entretanto, os funcionários de investigação da PJ estiveram ontem reunidos para discutirem a adesão à greve.
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PREVISÕES
Recessão é uma hipótese, diz Moody
Os juros exigidos pelos investidores para comprar dívida portuguesa estavam ontem a cair, o mesmo acontecendo com os seguros contra o incumprimento da dívida. Portugal surgia assim como o segundo país que mais viu diminuir o risco da dívida. Boas notícias, que não foram únicas.
Ontem também, a Moody's mostrou-se confiante na viabilização do Orçamento de Estado, acreditando ainda que Portugal está a responder de forma adequada às pressões dos mercados. No entanto, confirmou que a consolidação orçamental levou a um aumento material da probabilidade da economia portuguesa voltar à recessão.
Numa nota emitida, em que analisou o estado das Finanças lusas, esta agência de notação financeira acrescenta que o facto de ser maior a probabilidade de recessão não pressiona excessivamente a nota atribuída a Portugal. Para a agência, a grande preocupação são as perspectivas de crescimento de longo prazo.
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FALÊNCIAS E DESEMPREGO
Empresas muito receosas
O Orçamento para o próximo ano tem sido fortemente criticado, mas nem todos estão descontentes. O presidente da entidade de Turismo da Serra da Estrela diz que este OE é o «necessário» e que vai levar os portugueses a fazerem férias cá dentro. Opinião exactamente contrária tem a maior associação hoteleira do Algarve, para quem o corte nos rendimentos dos portugueses previsto para 2011 vai afectar o turismo algarvio.
Aliás, de norte a sul, sem esquecer as ilhas, as queixas são muitas. Os empresários do Centro temem a «inevitável depressão», enquanto as associações comerciais de Portalegre e Viseu falam em fecho de empresas e consequente desemprego. Também os comerciantes da Madeira esperam uma «catástrofe» e nem o vinho do Porto, apontado como alavanca das exportações, deverá escapar incólume ao aumento do IVA para 23%.





6 comentários
Arre Povo!!!!!!!! não se esqueçam de quem vos quer bem... Gandas parolos os tugalandeses !!
Desculpem, de ter sido deste relambório todo . . . !
SÓCRATES É O CULPADO E O NÓ DA FORCA VAI PARA O PESCOÇO DO POVO.--------------------------------------------- ------------------------------------------- CRISE EM PORTUGAL PROVOCADA E MANTIDA PELO PARTIDO ÚNICO :
-P.S. /P.P.D/ P.S.D--------------------------------------------- --------------------------------
Os portugueses vivem muito acima das suas possibilidades uma vez que almoçam 7 dias por semana (de Segunda a Domingo) e exigem pão em cima da mesa!
Ora na Somália vive-se com um almoço semanal e as crianças bebem água contaminada para não chegarem a dar muitas despesas aos pais e ao Governo dado que 90% destas morrem até à idade de 5 anos! Uma vez mortas logo iniciam uma poupança a 100% e por toda a restante eternidade!
Teixeira dos Santos com o seu cabelo branco, parece um cão da Serra da Estrela que anda a «farejar» cêntimos nos bolsos dos pobres, desfavorecidos, desempregados e titulares de magras pensões de reforma! Os pobres pagam a crise e os banqueiros ficam isentos de mais impostos!
Odeio o sistema político actualmente implantado de um partido único com duas siglas, a saber, P.S./P.P.D./P.S.D que há mais de 30 anos dividem entre si o saque aos trabalhadores! Não existe nenhum partido em Portugal sério e válido em todo o espectro político, da esquerda até à direita, motivo pelo qual o ora comentador apela aos futuros boicotes eleitorais a 100%, no sentido de acabar o poder político em Portugal e passarmos a um Estado Federado.
A União Europeia tem de se tornar uma federação de estados. Os futuros “Estados Unidos da Europa” poderão tornar-se na nova superpotência mundial. Existirá um Governo único em Bruxelas e um Orçamento Comunitário para toda a futura federação. Os políticos portugueses terão de ir trabalhar para poderem viver! Actualmente são todos a 100% larvas parasitárias que sugam todo o Orçamento do Estado e deixam o país na banca rota!