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Orçamento

Quatro pilares do Estado Social com 'brecha' de 2499 milhões

19 | 10 | 2010   11.02H

Cidadãos, empresas e instituições, praticamente ninguém escapa aos fortes cortes impostos pelo Orçamento de Estado (OE) para 2011. Além das implicações no rendimento disponível dos portugueses e na competitividade empresarial, o documento também reforçou a discussão sobre o futuro do Estado Social, nomeadamente se este está em causa.

As opiniões dividem-se, mas a verdade é que os chamados quatro pilares do Estado Social vão receber menos 2499 milhões de euros em 2011. Os cortes afectam o combate à pobreza na Segurança Social (984 milhões), o Serviço Nacional de Saúde (599), a Educação (803) e o Ensino Superior e Acção Social (103).

Independentemente destes valores, José Sócrates voltou ontem a defender o OE proposto pelo seu Governo, garantindo que «é absolutamente indispensável e necessário» para o país «enfrentar as suas dificuldades». Mais do que isso, o primeiro-ministro assegurou que o documento «protege o modelo social» em que Portugal quer viver. Mas se o chefe do Executivo insiste nesta ideia - ontem à tarde acabou por repetir o que já havia dito numa entrevista a um jornal económico - nem por isso convence o PSD.

Para o líder parlamentar dos sociais-democratas, «depois desta proposta de OE, falar de protecção do emprego e defesa do Estado Social como faz o primeiro-ministro é uma ofensa aos portugueses». Miguel Macedo acrescentou que José Sócrates nunca mais tem autoridade para falar» neste assunto, «depois da forma como governou o país».

Desta forma, e apesar de hoje decidir o que fazer quanto ao OE, o PSD não abranda nas críticas ao Governo. Ainda assim, Passos Coelho poderá viabilizar o documento se o PS aceitar diluir os sacrifícios propostos por 2011, 2012 e 2013. Ou seja, em vez de aumentar tanto os impostos em 2011 de forma a baixar o défice para 4,6%, o Estado assumiria que essa meta não pode ser atingida já no próximo ano, dando garantias - mediante um acordo de regime entre PS e PSD - de que a taxa chegaria aos 3% em 2013.

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OPOSIÇÃO

CDS e BE exigem mais explicações ao Governo

O CDS-PP considera «preocupante» o facto de o OE apresentar os mesmos dados de 2010 sobre as transferências do Estado para as empresas públicas. Ou seja, o Governo não revela o que vai gastar este ano com essas empresas nem a verba prevista para o próximo.

Já o BE quer ver desvendados os «dois capítulos secretos» do OE. Por um lado, quando serão incluídos nas contas públicas os 4500 milhões de euros gastos com o BPN; por outro, o porquê de o OE ter 3 mil milhões de euros a mais (a dívida é de 11 mil milhões quando o défice é de 8 mil milhões). O BE quer ainda uma auditoria às parcerias público-privadas e a criação de um imposto único sobre o património.

Por sua vez, Os Verdes requereram o adiamento para a primeira semana de Novembro da discussão do OE face à «violação dos prazos de apresentação» do documento.

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GREVE

Trabalhadores do Fisco vão parar durante 20 dias

Num momento de reflexões e decisões em torno da hipótese de adesão à greve como forma de protesto contra as medidas de austeridade, os trabalhadores dos impostos anunciaram ontem que vão parar durante 20 dias, a partir de dia 3 de Novembro.

Já a FNE (Federação Nacional da Educação) lamentou «a incapacidade e incompetência» do Governo ao falhar no que prometeu há nove meses. A federação foi ainda mais longe ao dizer que a proposta de OE é «um ataque brutal» aos trabalhadores da administração pública.

No sector da Justiça, o presidente da Associação Sindical de Juízes associou a redu-ção salarial da classe ao processo Face Oculta e ao facto de terem «incomodado os boys do PS». No entanto, o ministro da Justiça garante que os cortes não foram retaliação.

Entretanto, os funcionários de investigação da PJ estiveram ontem reunidos para discutirem a adesão à greve.

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PREVISÕES

Recessão é uma hipótese, diz Moody

Os juros exigidos pelos investidores para comprar dívida portuguesa estavam ontem a cair, o mesmo acontecendo com os seguros contra o incumprimento da dívida. Portugal surgia assim como o segundo país que mais viu diminuir o risco da dívida. Boas notícias, que não foram únicas.

Ontem também, a Moody's mostrou-se confiante na viabilização do Orçamento de Estado, acreditando ainda que Portugal está a responder de forma adequada às pressões dos mercados. No entanto, confirmou que a consolidação orçamental levou a um aumento material da probabilidade da economia portuguesa voltar à recessão.

Numa nota emitida, em que analisou o estado das Finanças lusas, esta agência de notação financeira acrescenta que o facto de ser maior a probabilidade de recessão não pressiona excessivamente a nota atribuída a Portugal. Para a agência, a grande preocupação são as perspectivas de crescimento de longo prazo.

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FALÊNCIAS E DESEMPREGO

Empresas muito receosas

O Orçamento para o próximo ano tem sido fortemente criticado, mas nem todos estão descontentes. O presidente da entidade de Turismo da Serra da Estrela diz que este OE é o «necessário» e que vai levar os portugueses a fazerem férias cá dentro. Opinião exactamente contrária tem a maior associação hoteleira do Algarve, para quem o corte nos rendimentos dos portugueses previsto para 2011 vai afectar o turismo algarvio.

Aliás, de norte a sul, sem esquecer as ilhas, as queixas são muitas. Os empresários do Centro temem a «inevitável depressão», enquanto as associações comerciais de Portalegre e Viseu falam em fecho de empresas e consequente desemprego. Também os comerciantes da Madeira esperam uma «catástrofe» e nem o vinho do Porto, apontado como alavanca das exportações, deverá escapar incólume ao aumento do IVA para 23%.

João Moniz | jmoniz@destak.pt
Foto: EPA
Quatro pilares do Estado Social com 'brecha' de 2499 milhões | © EPA

6 comentários

  • Quando o povo deu a maioria ao ps, foi porque percebeu que o país precisava de uma reestruturação da ESTRUTURA DO ESTADO e não contra as pessoas, que seriamente trabalham pagando os seus impostos, mas o ps apenas fizeram uma lavagem de cara, um exemplo claro, só juntado as forças de segurança, (além de menos importante de racionar eficientemente os agentes, de os motivar e de construir melhores condições de trabalho) pouparia-se pelas minhas contas cerca mais de mil milhões de euros por ano, sem contabilizar, com centenas de imóveis que ficaria para serem vendidos, isto pelo simples facto, de em vez de terem cerca 6 a 8 estruturas de logística passava-se a ter uma, que apesar de ser estruturalmente maior como é natural, pouparia esse montante astronómico e isto é apenas um em exemplo, dito isto, perdeu-se a oportunidade e agora só quando não podemos dar mais nenhum passo por causa do abismo que está á nossa frente, o povo irá votar certamente numa nova solução, mas temo que desta vez não será o PS nem o PSD a tomar as rédeas do reestruturação, mas será um mal menor que permitirá Portugal se torne novamente um país a crescer abraçado a quem de facto trabalha honestamente com empresários honestos e pagam os seus impostos preocupando-se com o próximo. como não o fizeream deram razão nas entrelinhas ao povo que pensa que os uma parte dos politicos não são pessoas de bem o que será extremamnete grave na altura das eleições e com o povo a sofrer.
    Pensar | 09.11.2010 | 12.43Hdenunciar comentário
    Tem a certeza que pretende denunciar este comentário? sim não
  • O único "sector" onde não se verificam brechas nenhumas é nos bolsos da corja politica.
    Arre Povo!!!!!!!! não se esqueçam de quem vos quer bem... Gandas parolos os tugalandeses !!
    maria já mia | 25.10.2010 | 12.06Hdenunciar comentário
    Tem a certeza que pretende denunciar este comentário? sim não
  • Ah...ah...ah...ah...ah...ah...ah...ah...ATCHIIIIII MMMMMMMMMMM . . . !
    Desculpem, de ter sido deste relambório todo . . . !
    alexandre barreira | 22.10.2010 | 09.00Hver comentário denunciado
  • Em que sectoreas de Portugal não há brechas...afinal?... Nos< meus parcos recursos garanto que ainda não...mas faço ginastica desde sempre...pois sempre me amedrontou o futuro...Por isso e até este momento estou de palanque...!
    Alem | 21.10.2010 | 09.55Hver comentário denunciado
  • -SÓCRATES O GRANDE COVEIRO DE PORTUGAL-DEIXEM DE VOTAR EM TODOS OS ACTOS ELEITORAIS - OS MALEFÍCIOS DO VOTO DO POVO SÃO ENORMES------------------------------------------- -------------------------------------------------- ------
    SÓCRATES É O CULPADO E O NÓ DA FORCA VAI PARA O PESCOÇO DO POVO.--------------------------------------------- ------------------------------------------- CRISE EM PORTUGAL PROVOCADA E MANTIDA PELO PARTIDO ÚNICO :
    -P.S. /P.P.D/ P.S.D--------------------------------------------- --------------------------------
    Os portugueses vivem muito acima das suas possibilidades uma vez que almoçam 7 dias por semana (de Segunda a Domingo) e exigem pão em cima da mesa!
    Ora na Somália vive-se com um almoço semanal e as crianças bebem água contaminada para não chegarem a dar muitas despesas aos pais e ao Governo dado que 90% destas morrem até à idade de 5 anos! Uma vez mortas logo iniciam uma poupança a 100% e por toda a restante eternidade!
    Teixeira dos Santos com o seu cabelo branco, parece um cão da Serra da Estrela que anda a «farejar» cêntimos nos bolsos dos pobres, desfavorecidos, desempregados e titulares de magras pensões de reforma! Os pobres pagam a crise e os banqueiros ficam isentos de mais impostos!
    Odeio o sistema político actualmente implantado de um partido único com duas siglas, a saber, P.S./P.P.D./P.S.D que há mais de 30 anos dividem entre si o saque aos trabalhadores! Não existe nenhum partido em Portugal sério e válido em todo o espectro político, da esquerda até à direita, motivo pelo qual o ora comentador apela aos futuros boicotes eleitorais a 100%, no sentido de acabar o poder político em Portugal e passarmos a um Estado Federado.
    A União Europeia tem de se tornar uma federação de estados. Os futuros “Estados Unidos da Europa” poderão tornar-se na nova superpotência mundial. Existirá um Governo único em Bruxelas e um Orçamento Comunitário para toda a futura federação. Os políticos portugueses terão de ir trabalhar para poderem viver! Actualmente são todos a 100% larvas parasitárias que sugam todo o Orçamento do Estado e deixam o país na banca rota!
    MIG | 20.10.2010 | 11.32Hver comentário denunciado
  • Este Primeiro-Ministro é um pirómano. Ele quer ver o País arder.
    Milhazes | 19.10.2010 | 16.49Hver comentário denunciado
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