Lince Ibérico

Faro acolhe seminário sobre a espécie ameaçada de extinção

21 | 10 | 2010   09.46H

“O objetivo do encontro é juntar todas as instituições que estão a trabalhar na conservação do lince ibérico em Portugal para trocar informação”, disse à agência Lusa Alexandra Cunha, presidente da Liga para a Proteção da Natureza (LPN), organizadora do seminário.

Além do trabalho que está a ser desenvolvido na conservação da espécie no centro de Silves, no Algarve, onde se encontram animais em cativeiro para assegurar a continuidade do lince ibérico, que está fortemente ameaçado de extinção, o seminário permitirá ter contacto com a experiência de especialistas espanhóis que iniciaram o programa de conservação do felino.

Alexandra Cunha explicou que este trabalho mais técnico do seminário ficará reservado para o primeiro dia, a 28 de outubro, enquanto o dia seguinte será mais dirigido para a sensibilização da população.

“No âmbito do Projeto Europeu Life, temos estado a preparar três zonas para acolherem o lince ibérico em habitat natural: em Moura/Barrancos, na Serra do Caldeirão e no Baixo Guadiana. E é importante explicar às pessoas os desafios que se colocam e desmistificar ideias preconcebidas, de forma a não haver ações humanas que coloquem em causa este esforço”, precisou.

A presidente da LPN disse que gostaria também de ter no encontro alunos do último ano do ensino secundário, sobretudo da área de Biologia, mas “depois de feitos contactos com alguma escolas verificou-se que era muito difícil fazê-los sair da escola”.

Até ao momento, a organização do seminário, que decorrerá na Universidade do Algarve (UAlg), no campus das Gambelas, já recebeu 40 inscrições, mas a presidente da LPN espera que este número suba.

Em 1988 a população de linces ibéricos rondava os 1200 indivíduos, número que em 2005 caiu para os 200, tornando-o numa das espécies mais ameaçadas de extinção.

A abertura de um centro nacional de reprodução de linces na Herdade das Santinhas, em Silves, em meados do ano passado, é uma das tentativas para travar a extinção da espécie. Hoje habitam no centro 16 espécimes.

Na primeira época de reprodução nasceram duas crias, que não resistiram e morreram, mas o seu nascimento representa a primeira reprodução comprovada da espécie em Portugal nos últimos 30 anos.

“Ficámos todos admirados por haver reprodução, porque é uma espécie que é muito difícil de se reproduzir sem as condições ideais. E o trabalho que está a ser desenvolvido está dentro das expetativas, apesar da morte das crias”, afirmou a presidente da LPN.

Destak/Lusa | destak@destak.pt
Foto: DR
Faro acolhe seminário sobre a espécie ameaçada de extinção | © DR
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