Governo e PSD esticam a corda com cuidado para não rebentar
O país está à espera, os analistas e os mercados estão à espera, até os líderes europeus estarão à espera. Mas nem à terceira foi de vez e Governo e PSD voltaram a falhar ontem a obtenção de um acordo que permita aprovar o Orçamento do Estado para o próximo ano.
Apesar de todos os cuidados - a reunião da parte da manhã começou com uma hora de atraso, a da tarde com duas, porque PSD e Executivo estavam a ultimar documentos importantes -, o entendimento fracassou e os dois partidos voltam hoje à mesa de negociações. Embora não tenham sido dadas justifica-ções para o impasse, alguns analistas avançavam com a possibilidade de um conflito de timings: o PSD quer um acordo antes de Cavaco Silva anunciar hoje a recandidatura à Presidência; o PS prefere aguardar até quinta-feira, dia do Conselho Europeu.
Já César das Neves acha que se esperou demais e que o FMI já devia ter sido chamado. O economista prevê que sejam necessárias mais medidas de austeridade em 2011, porque o cenário macroeconómico é irrealista. Também Daniel Bessa admite mais cortes «se houver surpresas».
PRESIDENTE DA REPÚBLICA
Cavaco apela ao «espírito construtivo»
Antes de apresentar a sua recandidatura à Presidência da República - hoje à noite, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa -, Cavaco Silva lançou um apelo aos partidos. À margem da entrega de prémios da sexta edição do Concurso Nacional de Inovação do Banco Espírito Santo (BES), o Presidente chamou a atenção para o que diz ser o espírito de abertura dos socialistas para analisar as propostas apresentadas pelos diferentes partidos, no que diz respeito ao Orçamento do Estado. «Foi afirmado um espírito construtivo», disse, salientando «a aproximação feita de todas as partes».
NUMA DÉCADA
O 3º país que cresce menos
Ainda antes de começarem as negociações de ontem, Teixeira dos Santos e Eduardo Catroga (na foto) terão visto o relatório do FMI onde se conclui que a economia portuguesa passou ao lado da última década. Isto porque o país foi o terceiro que cresceu menos nos últimos dez anos, passando a ocupar o 38.º lugar em vez da 35.ª posição. Entre as 180 nações analisadas, pior só mesmo a Itália e o Haiti, com Portugal a atingir o chamado crescimento em L: subidas do PIB a rondar os 0%, desemprego alto, fraco consumo e excesso de capacidade produtiva.
REACÇÕES
Ricardo Salgado crê em acordo
O presidente do BES, Ricardo Salgado, está confiante que os grupos de trabalho do Gover-no e do PSD vão chegar rapidamente a entendimento. Ricardo Salgado sublinhou que os «dois grupos são liderados por pessoas que são grandes especialistas da área financeira e económica, e grandes conhecedores dos mercados, por isso tudo farão para que haja aprovação» do Orçamento. Entretanto, os patrões das Pequenas e Médias Empresas ponderam aderir à greve geral de 24 de Novembro, por considerarem que este orçamento «é desastroso».
PROFESSORES
Cinco mil docentes sem colocação
Uma avaliação do Orçamento do Estado para 2011 revela que cinco mil professores podem ficar sem colocação no próximo ano lectivo. O alerta é dos sindicatos e justificado com a extinção anunciada de duas disciplinas do ensino básico: Área de Projecto e Estudo Acompanhado. De acordo com João Dias da Silva, da Federação Nacional da Educação (FNE), não há dúvidas de que vai aumentar o desemprego entre os professores. Para o evitar é sugerido o reforço da carga horária de Português e Matemática, às quais tinham sido retiradas horas.
POUPANÇA
PPR deixam de ser atractivos
Os Planos Poupança Reforma vão ter menos incentivos fiscais e vão deixar de ser atractivos para os reembolsos de IRS. A conclusão é da DECO (Associação de Defesa do Consumidor), que aconselha outro tipo de investimentos, como os fundos mistos ou os certificados do Tesouro, investimentos que não obrigam ao pagamento de altas comissões. Se a proposta de orçamento para o próximo ano for aprovada tal como está, o benefício máximo em sede de IRS não vai ultrapassar os 100 euros e, dependendo do valor dos rendimentos, poderá ser menor.
BPN
Oposição quer explicações
A alegada intenção do Governo de transferir para a Caixa Geral de Depósitos a carteira de créditos do BPN, que totalizam mil milhões de euros, levou a oposição a insistir no pedido de esclarecimentos. O PSD acusa o Governo de ter avan-çado com a nacionalização sem «er uma «estratégia» e lembra que o Executivo ainda não respondeu às questões colocadas há várias semanas. Já o Bloco de Esquerda considera que «a operação de salvamento do BPN está totalmente descontrolada» e que o banco será vendido «por um montante irrisório».





1 comentário
Dizia há dias, na TV, um comentador, não recordo se sociólogo, que "os politicos são como os ladrões que sabendo que a policia pode chegar a qualquer momento continuam a roubar"
E a polícia que nunca mais chega.
Já é azar.