PUBLICIDADE
Cultura

Eixo de museus Ajuda-Belém é prioritário

18 | 11 | 2010   12.07H

No âmbito deste eixo, em declarações à Lusa, Gabriela Canavilhas salientou a “decisão firme de dar seguimento à construção do Museu dos Coches” e reafirmou a ideia de criar “um quartier de museus”.

“Era necessário dar uma consolidação e uma lógica, e essa foi a primeira iniciativa enquadradora”, disse a ministra que aponta para finais do próximo ano a conclusão das obras do novo Museu dos Coches.

Quanto ao atual espaço, antigo picadeiro, Gabriela Canavilhas afirmou que “não está tomada qualquer decisão”.

A governante explicou que a ideia de voltar a ser picadeiro “é rebatida por muitos especialistas eu referem que a coabitação com os cavalos deteriora o património edificado”.

A ministra disse ainda que a criação de um eixo hípico na calçada da Ajuda, a partir deste espaço, “é uma ideia magnífica” que acarinha muito, mas implica uma reconfiguração e uma intervenção urbana “que se torna difícil de planear tendo em conta o contexto económico complexo”.

“Não quero lançar expetativas que possamos não estar à altura de cumprir”, disse.

“Gosto da ideia de trazer para primeiro plano o cavalo lusitano e a prática hípica, mas estamos com dificuldades na manutenção da Escola Portuguesa Equestre que terá de sair de Queluz e ir para Alter do Chão”, acrescentou.

Neste “eixo prioritário”, afirmou a ministra, é necessário “dotar o atual Museu de Arqueologia de valências que lhe permitam crescer e afirmar-se como um grande museu nacional”.

Canavilhas afirmou que aquele museu está “prisioneiro de um espaço limitado que é o Mosteiro dos Jerónimos” e daí a transferência para o edifício da Cordoaria Nacional.

Os trabalhos de estudo e técnicos decorrem até ao próximo ano, agendando-se para 2012 a preparação da museografia e das obras na Cordoaria, prevendo-se a mudança em 2013 em articulação com o novo Museu que irá surgir no espaço deixado pelo Museu de Arqueologia.

O atual diretor do Museu de Arqueologia, Luís Raposo, “está integrado nos estudos que estão a ser preparados e foi-lhe pedido um projeto de museografia”, acrescentou.

Na área deixada pela Arqueologia e conjugando com o Museu de Marinha, Gabriela Canavilhas defendeu a “criação de um espaço museológico dedicado à epopeia dos Descobrimentos e à afirmação da portugalidade no mundo”.

Este é “um projeto que andava há muito nas bocas do mundo museológico” cuja tutela será partilhada pelos ministérios da Defesa e da Cultura.

“O ministério da Defesa e a Marinha asseguram a gestão quotidiana do Museu com os meios e recursos humanos que dispõe e o ministério da Cultura os conteúdos museográficos e a parte científica”, explicou.

O novo Museu, ainda sem um nome definitivo mas ao qual “se terá de associar o da Marinha, e que aponte para um conteúdo mais amplo que são as Descobertas”, está ainda em fase de estudos da comissão técnica “que já se reuniu”, disse.

A ideia – explicou – “é contar a história de como Portugal pequenino se fez ao mundo e se fez grande”.

Este novo Museu deverá “fazer o contraste/contraponto” com o Museu Nacional de Arte Popular (MNAP)”que será autónomo, deixando de ser tutelado pelo Museu Nacional de Etnologia e reabrirá “até ao final deste ano”.

“No quadro das comemorações do Centenário da República queremos tê-lo completamente aberto durante o primeiro trimestre de 2011”, referiu a ministra, reconhecendo um "possível atraso das obras".

Relativamente ao MNAP, que será dirigido pela arquiteta Andreia Galvão, a titular da pasta da Cultura afirmou: “Não estamos muito interessados em retirar o conceito original, de exaltação dos valores nacionais, ligado à ideia de propaganda de António Ferro, pois é ele próprio uma memória”.

Canavilhas disse ainda que Andreia Galvão está a trabalhar “nesse sentido e em articulação com o Museu de Etnologia e outros museus que detêm espólio na área da cultura popular”.

Destak/Lusa | destak@destak.pt
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE