Greve pára educação, saúde e transportes
Do metro aos comboios, passando ainda pelos aviões, dos funcionários do Estado aos trabalhadores agrícolas e da indústria alimentar, muitas são as promessas de uma greve que, a julgar pela confiança transmitida pelos sindicatos, vai causar grandes complicações. As medidas de austeridade a tal obrigam, garantem os que falam em nome dos trabalhadores. E tendo em conta os pré-avisos já conhecidos, áreas-chave, como a dos transportes, podem mesmo vir a parar.
Para já, TAP, SATA, Metropolitano de Lisboa, CP, Soflusa, Carris, Transtejo e Sociedade de Transportes Colectivos do Porto já deixaram avisos à navegação: os seus trabalhadores vão aderir à greve. O que pode significar, como é o caso do Metro de Lisboa, portas fechadas, garantem os sindicalistas, confiantes, aqui, numa adesão que deve ser em massa.
Os aviões podem também ficar em terra. Ao todo, espera-se que sejam cancelados mais de 550 voos de e para Portugal, isto se os controladores aéreos cumprirem os serviços mínimos. Motivos de sobra que levaram as companhias a avisar os clientes. A TAP pensa cancelar mais de 250 voos e a Ryanair fala em 60 cancelamentos, pelo menos. A Lufthansa junta-se ao grupo: 20 voos cancelados.
Educação, Justiça e Saúde são outras das áreas que se espera que venham a ser afectadas - ASAE, Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, FENPROF e Federação Nacional dos Médicos já anunciaram a sua adesão. E nem a morte escapa à greve. Fonte da UGT garante ao Destak que todos os enterros vão ser realizados. No entanto, os crematórios poderão mesmo vir a parar, com todos os transtornos que daí advêm.
Para quem pensa ficar em casa e dar um salto aos centros comerciais para adiantar as compras de Natal, fica aqui também a informação: o Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços considera que os trabalhadores destes espaços - que lidam com vínculos precários, flexibilidade de horários e falta de pagamento de horas extraordinárias - têm razões acrescidas para entrar nesta greve e deixar de traba-lhar amanhã.
A favor da greve
«Indispensável manifestação de indignação colectiva.» É assim que a CGTP descreve a greve de amanhã. E não faltam argumentos que justifiquem a sua adesão. É que, garante, em causa estão «os direitos e interesses fundamentais» dos trabalhadores.
Contra as medidas de austeridades implementadas pelo Governo em nome da crise, «contra a redução do poder de compra dos salários», contra o «aumento da carga fiscal», contra o «generalizado aumento do custo de vida» - com a anunciada subida do IVA, dos preços dos alimentos, dos medicamentos, da energia, dos transportes, etc., são muitas as justificações para parar durante um dia.
Depois, há ainda o lado mais prático. Com as escolas fechadas, como se espera que possa acontecer, muitos pais serão forçados a ficar em casa com os filhos; com os transportes parados, deslocar-se dará origem a uma terrível dor de cabeça.
Contra a greve
Se do lado dos prós são muito os argumentos, do lado dos contra eles também existem. Contas feitas pelo Jornal de Notícias revelam que, se metade dos trabalhadores parar, a greve irá custar qualquer coisa como 280 milhões de euros.
Um aparente contra-senso, dirão os que se opõem à greve. Numa altura de particular crise, que justificou as medidas de austeridade implementadas pelo Governo, castigar o País desta forma não é contribuir para alimentar ainda mais esta crise?
Há ainda quem não esteja disposto a perder um dia de trabalho, que significa também não ser remunerado. E, depois, é preciso ter em conta as represálias, sentidas por tantos portugueses. Se é um facto que a greve é um direito, são também reais as pres-sões do patronato.
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SERVIÇOS MÍNIMOS
José Sócrates confia no respeito dos sindicatos
José Sócrates confia que os sindicatos vão respeitar a definição dos serviços mínimos para a greve geral marcada para amanhã, rejeitando um diferendo com estas forças sociais. Até porque, defendeu ainda o primeiro-ministro, muitos sindicalistas compreendem as medidas de austeridade do Governo.
«Os serviços mínimos são um aspecto que está consagrado na lei. Tenho a certeza de que todos os sindicatos vão respeitar», respondeu, quando questionado pelos jornalistas. Mais ainda, confirmou não ter indicação que seja necessário proceder a medidas de requisição civil, deixando no entanto a garantia de que tal será feito «se for necessário».
Quanto à realização da paralisação, considerou ainda que «os trabalhadores têm perfeita consciência de que o Governo está a defender o emprego. Se não fizéssemos um Orçamento como o que deverá ser aprovado, não estaríamos a defender o emprego e a economia».
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MAIS INFOS SOBRE A GREVE GERAL
Uma luta com mais conteúdo para os jovens
«Esta luta do movimento sindical é, talvez, na última década, aquela que traz mais conteúdo para a juventude.» As palavras são do secretário-geral da CGTP, Manuel Carvalho da Silva, que sublinhou que Portugal «vive uma situação inédita». «Num contexto em que é possível produzir riqueza e distribuir melhor essa riqueza, querem convencer a juventude de que a situação no futuro vai ser pior do que a dos pais e dos avós.» O líder da central sindical mostrou-se também convencido de que «vamos ter uma enorme greve geral».
Paralisação pode custar 280 milhões
A greve geral de amanhã pode custar ao País cerca de 280 milhões de euros. Segundo contas reveladas pelo Jornal de Notícias, este é o valor estimado caso metade dos trabalhadores adira à paralisação convocada pelas duas centrais sindicais. Para chegar a este número, o jornal recorreu ao valor acrescentado bruto de Portugal para os 251 dias úteis de 2010, que aponta para cerca de 560 milhões de euros por dia. As centrais sindicais acreditam que a adesão à greve será superior a 50%.
Greve com contenção de custos
A crise faz-se também sentir na organização da greve. As centrais sindicais não organizaram qualquer manifestação, já que a greve vai ter fortes implicações nos transportes e as centrais não querem arcar com as despesas para o aluguer de camionetas para transportar os manifestantes. Ao Diário de Notícias, a CGTP disse que estão envolvidas na prepara-ção da greve 15 mil sindicalistas, aos quais se juntam mil da UGT. Os sindicalistas garantem que houve atenção especial à contenção de custos.






10 comentários
Vamos todos fazer greve à greve!
Nota-se à distância a "evolução" nestes 36 anos . . . !
Que a GREVE GERAL seja pelo menos um GRITO da revolta íntima que nos vai na alma. EU FAÇO !
Sempre que convocam uma manifestação ou uma greve, são sempre os mesmos a beneficiarem, os quadros superiores e intermédios das empresas, os trabalhadores das grandes empresas de transportes (CP, Transtejo, Soflusa, STCP, Carris, PT, Galp, etc.etc.), cujos trabalhadores têm impacto na greve devido ás funções que exercem, enquanto a maioria continua a ganhar o salário mínimo ou pouco mais, dado que não têm qualquer poder reivindicativo.
Nesta greve o panorama não foge á regra, os grandes beneficiados mais uma vez irão ser aqueles que mais ganham, os que menos ganham são os mais prejudicados, dado que, mesmo que queiram trabalhar não têm transporte para se deslocarem.
Já é tempo de os trabalhadores mais desfavorecidos abrirem os olhos e não estarem sempre a contribuir para a sua própria desgraça, isto é os que mais ganham, cada vez ganham mais, enquanto que os que menos ganham, menos passarão a ganhar. Porque será que os aumentos salariais se fazem sempre em percentagem, porque será?
A resposta é simples:
Quem ganha 10.000 €uros se tiver um aumento de 3% passa a ganhar 10.300.
Quem ganha 600,00 € se tiver um aumento de 3% passa a ganhar 618,00.
Antes de fazerem greve, pensem nisto!