OCDE/Educação

Alunos portugueses pela primeira vez "perto da média" - relatório PISA

07 | 12 | 2010   11.39H

O relatório PISA 2009, que testa os conhecimentos dos alunos de 15 anos nas áreas de leitura, matemática e ciências, coloca Portugal na mesma categoria que os Estados Unidos, Suécia, Alemanha, Irlanda, França, Dinamarca, Reino Unido, Hungria e Taipei, uma das “economias de parceria” da avaliação.

As conclusões do PISA 2009, um extenso documento em cinco volumes com a exposição e interpretação dos resultados dos testes feitos a alunos de 65 países, foram hoje apresentadas na sede da OCDE pelo secretário geral da organização, José Ángel Gurría.

Os alunos portugueses obtiveram uma classificação de 489 pontos, quase ao nível da média geral, que foi de 493 no parâmetro principal de avaliação, centrado na leitura. Nos conhecimentos de matemática, os portugueses conseguiram 487 pontos e na avaliação dos conhecimentos em ciência 493.

Coreia e Finlândia são os países com melhor resultado (539 e 536 pontos, respetivamente) mas Xangai (China) ultrapassa ambos, com 556 pontos.

Dentro do grupo dos países ou regiões com melhores resultados estão Hong-Kong, Singapura, Canadá, Nova Zelândia, Japão e Austrália. Holanda, Bélgica, Noruega, Estónia, Suíça, Polónia, Islândia e Liechtenstein têm também pontuações acima da média.

O PISA 2009 analisa diferentes fatores no sucesso educativo, ou no fracasso da aprendizagem, descrevendo em detalhe o impacto da situação social e económica dos alunos.

Uma das conclusões do relatório é a “relação forte” entre a proporção de alunos menos favorecidos, segundo uma tabela internacional de indicadores de nível de vida, e os resultados nos conhecimentos de leitura. Essa relação “explica 46 por cento da variação de desempenho entre os países”.

O relatório assinala que “Turquia e México, onde 58 por cento dos estudantes pertencem ao grupo internacional mais desfavorecido, e Chile, Portugal e Espanha, Itália e Polónia, onde esta proporção atinge mais de 20 por cento, enfrentam desse modo desafios muito maiores do que, por exemplo, Noruega, Islândia, Austrália ou Canadá e Finlândia, onde a proporção de estudantes desfavorecidos é menor do que 5 por cento”.

O relatório “mostra também que não há motivo para desespero”, assinalando que países como Portugal e Israel “mostraram o potencial para aumentar substancialmente a qualidade do resultado da educação, aproximando-se da média da OCDE”, enquanto outros, como Brasil, México e Turquia, “registaram ganhos impressionantes a partir de níveis muito baixos de desempenho”.

Cerca de 470 mil estudantes completaram a avaliação PISA em 2009, representando cerca de 26 milhões de estudantes com 15 anos de idade nas escolas de 65 países ou regiões. Cerca de 50 mil alunos participaram numa segunda fase da avaliação, em 2010, representando cerca de dois milhões de alunos.

Cada participante passou duas horas a responder a um teste escrito, “de papel e lápis”, em matemática, leitura e ciência. Em 20 países, receberam um teste adicional em computador para avaliar a capacidade de leitura de textos em formato digital.

Destak/Lusa | destak@destak.pt
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE