Porto

Aos 17 anos, harpista Zita Silva estreia-se com recital na Casa da Música

21 | 12 | 2010   17.54H

“A música é a minha escolha”, garantiu hoje em entrevista à Lusa, assumindo que não consegue ver outro caminho para o seu futuro.

A maturidade que se vê em palco, sustentada por quatro primeiros prémios no Concurso Interno do Conservatório de Música do Porto, contrasta com a juventude do rosto e do discurso.

Zita Silva é um talento da música nacional, mas é, acima de tudo, uma jovem de 17 anos que descobriu a harpa sem saber muito bem como.

“Andava numa escola de música, tinha seis anos e a professora perguntou-me que instrumento queria tocar. E eu disse harpa. Não me lembro desse momento, não sei o porquê dessa escolha. Acho que pode ter sido associada a fotografias que a minha mãe tinha em casa, de uma senhora que tocava harpa num hotel”, recordou.

Sem certezas, a jovem harpista sugere o “fascínio pela imagem do instrumento” como a causa mais provável de uma relação próxima que dura há 11 anos e foi fundamentada na aptidão musical descoberta ainda em criança e na formação no Conservatório de Música do Porto.

“Como na escola onde andava não havia harpa, porque não há muitos sítios com professores em Portugal, vim para o Conservatório do Porto, onde fiz o meu percurso com a professora Áurea Guerner [a mais antiga professora de harpa do Porto], desde os oito anos até agora”, resumiu a jovem, residente em Paredes.

O dom foi desenvolvido ao longo dos anos, nas aulas – “Desde o décimo ano entrei para o regime integrado. Até aí tinha de ir pelo menos dois dias por semana ao Porto.” - e em casa.

“Em casa tenho uma harpa minha desde os dez anos e estudo diariamente”, revelou, confessando que agora estuda mais, “cerca de duas horas por dia, três no máximo”.

A harpa, de acordo com Zita Silva, é um instrumento para o qual é necessário ter “uma certa força de vontade”, porque, nos primeiros tempos, magoa os dedos, provoca bolhas e calos, e isso “pode causar desmotivação”.

No último grau do curso de harpa e prestes a abraçar novos horizontes, Zita Silva sonha com voos mais altos: “Os meus planos? Já concorri a universidades de música em Londres e Manchester, tive duas respostas positivas. Penso estudar lá e depois ver o que o futuro traz”.

Um futuro que pode começar já hoje, quando entrar à Sala 2 da Casa da Música, às 19:30, para fazer a sua estreia a solo no palco da mais emblemática sala portuense.

“Não estou nervosa, claro que há sempre alguma ansiedade e medo de que algo corra mal”. Sem nervosismo, pelo menos denunciado, Zita Silva quer apenas viver um momento de “felicidade”.

“Nunca pensei vir a fazer, pelo menos tão cedo, um recital a solo na Casa da Música. Pode ser um ponto de partida para um futuro mais promissor”, concluiu.

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Foto: Estela Silva/Lusa
Aos 17 anos, harpista Zita Silva estreia-se com recital na Casa da Música | © Estela Silva/Lusa