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Sintra

Carenciados de Monte Abraão vivem de solidariedade em cadeia

31 | 01 | 2011   10.49H

Do alto do Monte Abraão a descida faz-se de mãos abertas às sobras que saem da cozinha do quartel do Regimento de Artilharia Antiaérea n.º1.

Esta é uma freguesia urbana do concelho de Sintra, onde reside uma comunidade de 40 mil pessoas numa área com pouco mais de um quilómetro quadrado, muitas delas desenraizadas e a sofrer as consequências de uma crise social e económica.

Aos 39 anos e com quatro filhos menores, Maria Madalena é uma das carenciadas que desce o monte em direção à Junta de Freguesia, para levar para casa uma refeição ainda quente e outros alimentos cedidos pelo Regimento de Artilharia Antiaérea n.º1.

Esta desempregada de longa duração faz parte de uma lista das famílias carenciadas e levou para casa leite e cereais quase a expirar de validade, mas ainda bons para consumo, e várias ‘covetes’ com feijoada acabada de sair do quartel, ccontou À Lusa.

A distância entre a residência e a Junta, num percurso muitas vezes difícil dada a doença cardíaca grave que o obrigou a uma reforma precoce, não impede Alexandre Rodrigues de se socorrer da solidariedade em cadeia que é operada nesta freguesia.

Bens alimentares cedidos pelo quartel e pelos supermercados da zona são sempre uma oportunidade para atenuar as dificuldades que uma reforma curta dá ao seu agregado familiar, onde fazem parte a mulher e a filha de 34 anos, ambas desempregadas.

“Todas estas ajudas têm composto um bocadinho a situação. Ao todo tenho 580 euros para três pessoas, pago cem euros de casa, mais água, luz e gás”, disse Alexandre Rodrigues à Lusa.

Enquanto este doente crónico lamentava a perda da comparticipação estatal na aquisição de medicamentos – situação que considera dramática para o seu agregado familiar - a presidente da Junta de Freguesia de Monte Abraão alertou que ali, naquela junta, o apoio dado não se restringe somente aos bens alimentares.

“Venha cá com as receitas. A Junta também ajuda na compra de medicamentos”, disse Fátima Campos, autarca há 13 anos.

Segundo a responsável, a entrega de alimentos por parte do Regimento de Artilharia Antiaérea n.º1 de Queluz e dos supermercados da zona, é uma parte substancial da ajuda dada a esta população que permite o atenuar das dificuldades cada vez mais prementes.

A Junta de Freguesia dispõe ainda de fundo de maneio para ajudar a pagar funerais, oferecer cadeiras de rodas, livros e roupas, soluções que atenuam situações dramáticas das cerca de 200 pessoas referenciadas pela Junta.

Segundo a autarca, sobras “não são restos”, e também as escolas permitem que os alunos mais carenciados levem para casa refeições que noutras situações iriam para o lixo.

Destak/Lusa | destak@destak.pt
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