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Greve/Transportes

Faltam alternativas ao IC19 e aos comboios na rede de Sintra

16 | 02 | 2011   12.09H

Ao terceiro dia de greve de trabalhadores da CP em duas semanas, que resultou na supressão e atraso de vários comboios, utilizadores da linha ferroviária de Sintra disseram à agência Lusa não ter alternativas a este meio de transporte para o acesso aos seus empregos, sobretudo em Lisboa.

Na estação de Agualva-Cacém, uma das que tem maior fluxo de passageiros, muitos adiantaram estarem reféns da linha ferroviária.

“Não tenho carta de condução, mas se tivesse, a única alternativa que tenho seria ir de carro até Lisboa. Mas nestes dias o IC19 fica caótico e as pessoas chegam atrasadas aos empregos na mesma”, disse à Lusa José Alberto, 44 anos.

Estima-se que em Sintra residam cerca de 500 mil pessoas, um concelho suburbano onde dezenas de milhares se deslocam diariamente para Lisboa, onde trabalham.

As deslocações são feitas na sua maioria através de comboio ou de carro pelo IC19, uma via que já foi considerada a mais congestionada da Europa.

“Fica muito caro ir todos os dias de carro para Lisboa. É o preço da gasolina, o parque de estacionamento o dia todo e as longas horas de filas até conseguir chegar ao emprego”, disse Aurélia Pinto.

Em dias de greve como o de terça-feira, em que praticamente não houve comboios a partirem de Sintra em direção a Lisboa, o recurso a um táxi é impensável para muitos dos utilizadores da CP.

“Fica muito caro. O que eu receberia pelo dia de trabalho não compensa o custo do táxi. Assim, não tenho alternativa aos comboios porque também as carreiras demoram muito tempo a chegar a Lisboa”, disse Lurdes Pedro.

Para o presidente da Junta de Freguesia de Rio de Mouro, Filipe Santos, “Sintra está refém da REFER e da CP”, uma vez que, considera, não existem alternativas de transportes públicos à linha ferroviária a não ser o IC19.

“Sempre que há greve os impactos são muito grandes, não só ao nível das pessoas que não conseguem chegar aos seus empregos, mas todo o congestionamento das artérias de acesso ao IC19. Em Rio de Mouro não existem autocarros para Lisboa”, disse à Lusa.

Também a presidente da Junta de Freguesia de Monte Abraão, Fátima Campos, fez criticas. “As pessoas estão unicamente dependentes do comboio para se deslocarem. Os autocarros para Lisboa são insuficientes e quando há uma greve ou outro problema na linha Monte Abraão fica entupido de carros”, disse.

A Comissão de Utentes dos Transportes da Linha de Sintra contesta a “inexistência de um plano de estratégia de transportes” que, a existir, poderia permitir “melhores e novas soluções de acessos” aos residentes do concelho.

O porta-voz da comissão, Pedro Ventura, adiantou que uma das principais carências de Sintra - um concelho onde persiste a dicotomia entre a zona urbana muito populosa e uma zona rural muito dispersa - passa por uma inexistente articulação entre a linha rodoviária e os transportes rodoviários.

“Hoje temos duas vias de acesso a Lisboa, o IC19 e o transporte ferroviário. Temos que começar a entender o concelho de Sintra não isolado, mas inserido na área metropolitana de Lisboa”, disse.

Para Pedro Ventura, a auto-estrada A16 não constitui uma alternativa “por se tratar de uma via com várias portagens”.

Destak/Lusa | destak@destak.pt
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