Sociedade

A juventude portuguesa vista ao espelho

28 | 02 | 2011   21.48H

Os dados económicos e sociais que ajudam a compreender os protestos de toda uma geração que se auto-intitulou ‘à rasca'.

Destak | destak@destak.pt

Quando a revolta chegou a um ponto em que já não pode ser calada, acabaram por ser os Deolinda a dar voz ao protesto de toda uma geração.

Os motivos de queixa não são de hoje, mas resumidos numa canção ganharam nova dimensão, ao ponto de originar um movimento popular que promete ocupar as ruas do País a 12 de Março.

Mas quem é esta geração que reivindica mais condições de trabalho e de vida? São jovens que enfrentam grandes dificuldades para deixar a casa dos pais, que atrasam o início de uma vida independente, adiando para mais tarde aspectos como a maternidade.

É uma geração qualificada com dificuldades em sair do desemprego e que muitas vezes não obtém o rendimento que ambicionava. É uma geração «milenista», nas palavras dos nossos vizinhos espanhóis: uma geração com contratos a prazo e salários abaixo de mil euros.

Por isso, como disse ao Público o reitor da Universidade de Lisboa, a canção dos Deolinda é um «grito de revolta» contra a ideologia do capital humano e da precarização, em que se mantém as pessoas, sobretudo os jovens, numa «zona cinzenta».

Números:

1,57 milhões de pessoas

De um total de 10,6 milhões de habitantes portugueses contabilizados no fim do ano passado, 1,57 milhões tinham entre 25 e 34 anos, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística.

1,24 milhões de empregados

Segundo o INE, eram 1,24 milhões os empregados com idades entre os 25 e os 34 anos em 2010. Em Setembro do ano passado, eram 190 mil os diplomados com vínculos precários.

181,3 mil sem empregoSem emprego, segundo o INE, no fim de 2010, contavam-se 181,3 mil jovens dos 25 aos 34 anos. E apenas 75 mil (25%) pessoas com menos de 35 anos recebiam subsídio de desemprego.

15,8% com curso superior

A percentagem de licenciados na população geral não chegava aos 16%. Como em 1999 contavam-se 9,3%, pode presumir-se que cerca de 7% sejam jovens com menos de 35 anos.

23% sem contrato de trabalho

Quase um quarto dos jovens (23%) demora entre quatro a dez anos para conseguir um contrato de trabalho com duração superior a três meses.

56% vivem com os pais

Mais de metade dos jovens entre os 15 e os 34 anos (56%) vive em casa dos pais, o que nos torna o sexto país da União Europeia com os números mais elevados.

28,6 idade do casamento

Em 2009, as mulheres casavam-se, em média, aos 28,6 anos, três anos depois do que acontecia em 1989. Quanto ao nascimento do primeiro filho, em 2009, a idade da mãe era 28,6 anos.

20% com carro novo

Segundo dados recentes do Observador Cetelem, os jovens portugueses com menos de 30 anos representam 20% do total de compradores de carros novos, valor mais alto que noutros países.

1015 euros de vencimento

Apesar de todas as dificuldades, os dados da OCDE revelam que um jovem licenciado entre os 25 e os 34 anos (presumivelmente com contrato de trabalho) recebeu, em média, 1015 euros em 2010.

10% sem emprego

Ter curso superior não tem de ser sinónimo de emprego garantido. Que o digam 17 423 licenciados em Serviços Sociais que procuravam emprego em Junho do ano passado.

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A juventude portuguesa vista ao espelho | © DR

4 comentários

  • parabens Destak. obrigado pela companhia diária e pelo lançamento do debate. vou participar no site
    Fábia Silveira | 02.03.2011 | 00.38Hver comentário denunciado
  • É a geração criada pela competência dos 25 ministros da educação que o país teve em cerca de 30 anos.
    CAI NA REAL | 01.03.2011 | 12.19Hver comentário denunciado
  • É principalmente uma geração não-qualificada mas com 'canudos' passados por escolas e universidades.
    CAI NA REAL | 01.03.2011 | 12.18Hver comentário denunciado
  • Espelho meu . . . !
    Espelho meu . . . !
    Haverá no mundo . . . !
    Alguém . . . !
    Mais rasca do que eu . . . ? !
    alexandre barreira | 01.03.2011 | 07.29H
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