Língua

Iniciativas querem dar a conhecer o minderico

07 | 03 | 2011   09.57H

A criação de um museu, a tradução de toda a sinalética da vila, a produção de um dicionário multimédia e aulas para adultos são algumas das iniciativas em curso para dar a conhecer a língua minderica.

Destak/Lusa | destak@destak.pt

Da responsabilidade do Centro Interdisciplinar de Documentação Linguística e Social (CIDLeS), de Minde, o projeto inclui ainda a distribuição, pelo Jornal de Minde, de fascículos para a aprendizagem da língua ou o aumento do número de estabelecimentos comerciais que adotam o minderico.

Atualmente, na vila, apenas uma placa menciona Minde em minderico, “Ninhou”, mas o objetivo é que a indicação de Lisboa surja associada a “Casal Grande”, Alcanena a “Cabaça Sem Miolo” ou Mira de Aire a “Terruja de Santo Estêvão” e que a direção à auto-estrada inclua “carreirancha”.

No café O Estaminé, o minderico já entrou na lista e quem pede um café recebe um “joão da garota”, podendo acompanhar com uma “regatinha” (água).

José Achega, um dos proprietários, elogia a iniciativa, convicto de que contribui para recuperar o minderico que “estava a perder-se um pouco” e para “dinamizar a terra”.

Num minimercado local, a proprietária, Celeste Moura, tem os artigos traduzidos em minderico, opção que tomou depois de frequentar a primeira edição das aulas para adultos e de se ter apaixonado pela língua. Tanto, que faz questão que as conversações no local de trabalho e até na rede social Facebook sejam em minderico.

“Adoro o linguajar de Minde”, confessou Celeste Moura, natural de Torres Novas, considerando o vocabulário “facílimo” e só tem “pena de não haver mais gente a falar”.

No Museu de Aguarela Roque Gameiro, inaugurado em 2009, várias inscrições e as legendas que acompanham os trabalhos do artista que dá nome ao espaço surgem em minderico.

“Era natural que num ambiente destes, com uma pessoa tão ligada às suas raízes, à sua terra, preservássemos a língua que é uma identidade de Minde”, justificou a diretora do museu, Maria Alzira Roque Gameiro.

A responsável do CIDLeS, Vera Ferreira, que estuda o minderico desde o ano 2000, adiantou que a revitalização de uma língua não se faz por “puro romantismo”.

“Tem que haver necessidade da parte da comunidade e a comunidade minderica revela, de facto, essa necessidade”, referiu.

Por isso, o CIDLeS, organismo que se dedica à documentação e preservação do património linguístico ameaçado na Europa, tem em curso a criação de um dicionário multimédia bilingue (“piação” (minderico)/português), que vai ter “explicações semânticas, fonéticas, gramaticais e pragmáticas” do minderico.

O estudo da emergência do vocabulário minderico, projeto que foi proposto à Fundação para a Ciência e Tecnologia, e um documentário sobre esta língua ameaçada, são outros projetos do centro.

“O sonho será, depois, a criação de um museu interativo e multimédia que coloque em relação direta a língua com a comunidade e a língua como meio de comunicação do dia-a-dia, sobre o minderico nos seus contextos, social, económico, político e cultural”, acrescentou Vera Ferreira, adiantando que a iniciativa deverá ser apresentada, ainda este ano, ao Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN).

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