Fila da Frente

Roger Waters veio, transpôs o muro e venceu

22 | 03 | 2011   17.11H

Já se sabia que Roger Waters ia tocar o álbum conceptual ‘The Wall’ (1979) do início ao fim. Já se sabia que ia haver um muro gigante, onde seriam projectadas imagens. Já se sabia que o cenário seria monumental e marcante. Mas nada do que já se sabia, por muito requintada que fosse a nossa imaginação, poderia supor metade da produção que o músico trouxe ao Pavilhão Atlântico, ontem. O melhor concerto de sempre, dizem uns. O concerto de uma vida, dizem outros. A verdade é que as palavras não chegam para descrever o que se viveu naquela sala. Cabe-nos a ingrata tarefa de tentar.

Filipa Estrela | festrela@destak.pt

No concerto que marcou o arranque da digressão europeia, Roger Waters manteve-se fiel ao alinhamento do álbum e do filme homónimo. A história – a do próprio cantor – é a de um rapaz que viu que o pai não voltou da guerra. Percebe-se por isso, que o espectáculo tenha sido marcado por imagens de guerra e muitas mensagens e críticas contra ela. Um manifesto de raiva e dor, que sentiu na altura.

A força e a autenticidade dos holofotes a imitar helicópteros e tiros, quase nos transportava para um cenário de guerra verídico, com direito a um avião real a destruir parte do muro. Ao longo do espectáculo, aquela parede foi demolida e reconstruída, até esconder todos os músicos. Atrás do muro, Roger Waters chegou mesmo a cantar ‘Hey You’. E no fim, foi definitivamente deitada abaixo.

Perante um muro de 10 metros de altura e 75 de comprimento, percebia-se a insignificância do ser humano. Roger Waters sobressaia à frente de projecções de animações, fotografias, vídeos antigos, imagens de guerra, frases em várias línguas e mensagens. Tudo marcado pela grandiosidade e pela monumentalidade, pelas projecções geniais a 3 dimensões e pelos bonecos insufláveis e marionetas gigantes.

O álbum – e filme – foram interpretados com a mestria habitual, mostrando o ex-líder dos Pink Floyd em forma, dando grande protagonismo ao lado instrumental, com os emblemáticos solos.

Destaque para a música ‘Another Brick in the Wall Part I’, que contou com um coro de crianças da Cova da Moura, e para ‘Comfortably Numb’, acompanhado pela sala esgotada. Antes de tocar ‘Mother’ dirigiu-se pela primeira vez ao público. Em português disse «Boa noite Lisboa, bem-vindos», e afirmou que não imaginava melhor sítio para começar a digressão europeia. Apresentou o tema e explicou as imagens que se seguiam. Filmagens de 79/80, que ocupavam todo o palco, onde cantava a canção.

Dividido em dois, com intervalo e tudo, o espectáculo marcou duas noites, que não vão deixar acalmar a memória tão cedo.

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Foto: António Cotrim/LUSA
Roger Waters veio, transpôs o muro e venceu | © António Cotrim/LUSA

3 comentários

  • sou fâ do Roger Waters e tive bilhete comprado à cerca de 9 meses, mas infelizmente tive de o vender pois vivo a 200kms de Lisboa e devido à crise não tive hipóteses de ir, mas felicito quem teve a sorte de viver este momento único. pode ser que devido ao sucesso que teve possa vir terminar a digressao em Portugal, fica esta sugestão....
    Paula Silva | 23.03.2011 | 11.55Hdenunciar comentário
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  • um concerto absolutamente fantástico de um dos nomes maiores da música do século xx. dificilmente se verá tanta qualidade nos próximos tempos em Portugal.
    Nuno Freitas | 23.03.2011 | 09.36Hdenunciar comentário
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  • Tenho 18 anos e sinceramente penso que vai ser muito difícil voltar a ver um espectaculo desta qualidade. Como dizem os ingleses "completely mind-fuck"
    Rui Ramos | 22.03.2011 | 19.24Hdenunciar comentário
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