Ministro da Economia admite que exportações não serão "tão robustas" como se pensava
O ministro da Economia considerou hoje que as novas previsões do Banco de Portugal sobre a economia portuguesa "são negativas" e admitiu, tal como o banco central, que as exportações "não serão tão robustas" como o Governo pensava.
"São previsões negativas. O nosso desejo é que a economia portuguesa ultrapasse esta fase com o menor impacto possível no seu ritmo de crescimento", disse Vieira da Silva aos jornalistas, à saída de uma comissão parlamentar dos Assuntos Económicos e Energia.
"Existe um ponto de coincidência [entre as várias previsões das entidades]: É que as políticas que o país tem de seguir têm um efeito de desaceleração da economia. Até onde irá esse efeito tem a ver com um conjunto de factores, [que incluem] uma quebra da procura interna em virtude das medidas de natureza restritiva que a correcção do défice obriga", disse ainda o ministro.
Sobre as exportações, o ministro concordou que não deverão ser em 2011 tão fortes como o Governo previa há meses.
"Obviamente que há uma estimativa menos positiva das exportações, ainda que positiva, mas com efeitos não tão favoráveis como o Governo estimava. Continuamos a acreditar que elas vão ter um comportamento positivo. É óbvio que a conjuntura internacional veio degradar um pouco, pela evolução do preço do petróleo", afirmou Vieira da Silva.
"A procura externa em relação à economia portuguesa poderá não ser tão robusta como há uns meses atrás se supunha, mas ainda assim pensamos que será positiva e esperemos que possa compensar na maior medida possivel este efeito na procura interna", concluiu.
O Banco de Portugal (BdP) reviu hoje em baixa a sua previsão para o crescimento económico, de -1,3 para -1,4 por cento, este ano e alertou que as medidas necessárias para 2012, ainda não aprovadas, levarão a nova contração.
No Boletim Económico hoje divulgado, a instituição sublinha que as projeções que publica “apenas consideram as medidas orçamentais bem especificadas e já aprovadas, designadamente no âmbito do Orçamento do Estado para 2011” e que assim, “não reflecte todas as medidas necessárias ao cumprimento dos exigentes objectivos orçamentais assumidos pelo Estado português para 2011".
Assim, o Banco de Portugal, que cortou o desempenho que esperava em 2012, apontando agora para um crescimento de 0,3 por cento (anterior projeção era de 0,6 por cento), sublinha que as medidas necessárias para atingir os objetivos para o próximo ano "atingem uma dimensão muito substancial” e que a sua adoção vai levar a uma “nova contração significativa da atividade económica" à semelhança do que já prevê para este ano.





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