2011, ano azul de recorde em recorde
Domingo, com a vitória (1-2) frente ao Benfica, conseguiu mais um registo memorável: tornou-se campeão nacional em casa do rival Benfica, 71 anos depois da última vez. Foi na época 1939/40, com a equipa liderada pelo húngaro Mihaly Siska - na altura, Pinto da Costa tinha apenas dois anos de vida.
Mourinho vs. Villas-Boas
As semelhanças com Mourinho, para além de uma cultura futebolística e de traba-lho em grandes clubes muito rica, passam por ambos terem chegado ao FC Porto com muito pouco tempo de carreira como treinadores principais e terem obtido sucesso imediato.
«Qualquer plantel do FC Porto dá garantias de sucesso absoluto», disse Villas-Boas na apresentação a 4 de Junho de 2010. Mourinho fez o mesmo a Janeiro de 2002: «Em condições normais vamos ser campeões.»
Na 1ª época completa de FC Porto, Mourinho ganhou tudo o que havia para ganhar, incluindo Taça UEFA. Oito anos depois, Villas-Boas mantém esperança de conseguir o mesmo - o FC Porto joga quinta-feira nos quartos-de-final da Liga Europa.
O técnico de 33 anos, que foi o 3º mais jovem a conquistar o campeonato, agradeceu aos jogadores, a toda a jovem equipa técnica, ao clube e ao antigo 'chefe':
«Devo muito ao Mourinho, que me encaminhou numa série de conhecimentos, devo-lhe muito, mas também lhe dei muito», disse Villas-Boas, reconhecendo que a relação «esfriou».
A vitória sobre o Benfica foi a 13ª consecutiva - o último empate foi em Alvalade com o Sporting (12ª jornada). O registo permite ultrapassar o Benfica, que tinha 12 vitórias consecutivas nesta Liga e igualou o registo do FC Porto de Mourinho em 2003/04, época da vitória na Champions. Este FC Porto também cumpriu 400 dias sempre a marcar na Liga - marcou em todas as jornadas desta Liga.
O campeão «imbatível»
Com cinco jornadas para o fim, 16 pontos de vantagem sobre o 2º, o Benfica (31 sobre o 3º, o Sp. Braga), a superioridade portista correu mundo. O jornal espanhol Marca explica que o FC Porto foi «campeão em casa do inimigo», o francês L'Equipe no jogo «pouco pacífico entre rivais», o italiano Gazzetta Dello Sport no «triunfo do novo Mourinho» e a BBC num «merecido 25º campeonato de uma equipa imbatível».
Aliás, o objectivo para as restantes cinco jornadas da Liga passa por ganhar jogos e igualar o registo histórico do Benfica de Jimmy Hagan, que foi imbatível na época 1972/73.
Carlos Queiroz salientou ontem à Lusa o domínio 'azul': «É de assinalar 14 campeonatos em 20, acho que fica uma lição, que é difícil de aceitar para alguns.» Já o presidente portista, Pinto da Costa, dedicou o título ao antigo treinador Pedroto e a Pôncio Monteiro, falecido o ano passado.
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Jorge Baptista - O comentador relativiza o papel do treinador e dá mérito à estrutura do clube, que alimenta as «vinganças»
O FC Porto foi um justo vencedor da Liga?
Foi, sem dúvida. Uma equipa que chega a cinco jornadas do fim com 16 pontos de avanço e derrota duas vezes o rival directo, não há discussão. Pode ter havido condicionantes e nuances mas é um justo vencedor, tal como o Benfica foi o ano passado.
Villas-Boas tem razão ao dizer que o FC Porto jogou o melhor futebol da prova?
O bom futebol praticado pode dividir-se também com o Benfica, porque também tiveram muitos jogos consecutivos a ganhar. Mas em termos de regularidade e consistência táctica e física foram melhores. Isso foi um desabafo de Villas-Boas que vem na tradição portista de que 'somos sempre umas vítimas'. A falta de saber ganhar é tão clara quanto a de saber perder do Benfica. Nas primeiras jornadas, o FC Porto foi ganhando muito a custo e em alguns casos teve 'ajudas'. O Benfica deu tiros nos pés e passados uns meses a confiança era diferente com tantos pontos de vantagem portista.
A que se deve tanta consistência, a Villas-Boas?
O trabalho dele é igual ao do Jesualdo Ferreira e ao de outros. Villas-Boas não inventou o que já estava inventado nem é o novo Mourinho, são diferentes, apesar da excitação que anda por aí. O grande mérito do FC Porto passa por ter a equipa estabilizada há muitos anos. Ele limitou-se a criar um espírito de grupo bom e beneficiou do FC Porto ter uma estrutura, organização e forma de proteger treinador e equipa fortíssima. Depois ajuda inventarem uma guerra, inimigos e vinganças permanentes - se não há reacção provocam ao máximo, se o adversário reage, alimentam-se. Pinto da Costa tem dois objectivos, um deles é acabar o campeonato sem derrotas, para igualar o Benfica. O outro é ultrapassar o número de campeonatos que o Benfica tem. Quer deixar esse legado e cada campeonato ganho pelo Benfica é quase uma facada. É esta mentalidade que tem servido para alimentar a equipa. O ano passado o FC Porto distraiu-se e acordou já tarde demais.
O que esperar de 2010/11?
O FC Porto será mais do mesmo, a questão é como vai estar o Benfica e se consegue fazer melhor do que esta época. Vamos ver se deixa de dar tiros nos pés e não faz as asneiras do início do campeonato, do guarda-redes medíocre até à falta de preparação e a forma como não colmatou bem a saída de jogadores.




