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25 de Abril

Perda de direitos dos militares pode conduzir a uma nova revolução - Otelo

13 | 04 | 2011   09.20H

Para o “capitão de abril” Otelo Saraiva de Carvalho bastam 800 militares para derrubar um governo, mas “um novo 25 de Abril” só deverá acontecer com a perda de direitos dos militares.

Destak/Lusa | destak@destak.pt

Em entrevista à Agência Lusa, a propósito do livro “O dia inicial”, que conta o 25 de Abril “hora a hora”, Otelo reconhece que, ao contrário da sociedade em geral, os militares não têm demonstrado grande indignação pelo estado do país.

E justifica: “Os militares pertencem à classe burguesa, estão bem, estão bem instalados, têm o seu vencimento, vão para fora e ganham ajudas de custo, são voluntários e os que estão reformados ainda não viram a sua reforma diminuída”.

Mas a situação pode mudar, na perspetiva deste obreiro da “revolução dos cravos”, para quem “a coisa começará a apertar, no dia em que os militares perderem os seus direitos”.

“Se isso acontecer”, sublinhou, “é possível que se criem as tais condições necessárias para que haja um novo 25 de abril”.

Otelo Saraiva de Carvalho lembrou que o movimento dos capitães iniciou-se precisamente por “razões corporativistas”, nomeadamente quando “os militares de carreira viram-se de repente ultrapassados nas suas promoções por antigos milicianos que, através de um decreto-lei de um governo desesperado por não ter mais capitães para mandar para a guerra colonial, permite a entrada desses antigos milicianos”.

“Esses capitães são rapidamente promovidos a majores e ultrapassam os capitães que estavam a dar no duro e tinham quatro anos de curso”, adiantou.

Otelo lembra que, “quando tocam nos interesses da oficialidade, ela começa a reagir. Há 37 anos, essa reação foi o movimento de capitães”, que culminou no derrube de um regime com 48 anos.

Este “capitão de abril” chama a atenção para a mudança de circunstâncias que se registou nos últimos 37 anos, nomeadamente o facto das forças armadas ao nível das praças – soldados, cabos e sargentos – serem hoje voluntários.

“Se a esta gente voluntária cortarem direitos adquiridos, então o caldo está entornado”, avisou.

Questionado sobre a existência de condições para os militares protagonizarem uma revolução, Otelo é perentório: “Para derrubar um governo basta, como se viu, 800 militares. Chegam, desde que estejam empenhados nisso”.

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2 comentários

  • Ò Otelo eu sou capaz de morder o meu vizinho todo porque tenho os dentes todos e ele, coitado, está desdentado
    MM | 13.04.2011 | 15.11Hdenunciar comentário
    Tem a certeza que pretende denunciar este comentário? sim não
  • Os meios de comunicação social e respectivos donos, que hoje estão cheios de dinheiro, agora, no fim do ciclo, depois de terem rebentado com a nação, vêm finalmente tentar dar voz a alguém que nunca deixaram falar durante 30 anos. Por aqui se vê que o melhor que o português capaz tem de fazer é emigrar. Não é que o país devesse ter-se transformado num país comunista, mas de sinistros comilões e salteadores de fato e gravata também não. O povo português devia ir para a rua com grandes cartazes com os nomes desses comilões e os respectivos ordenados mensais.
    PORCOS COMILÕES | 13.04.2011 | 09.44Hdenunciar comentário
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