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Páscoa

População percebe melhor o nascimento de Jesus do que a ressurreição

21 | 04 | 2011   09.43H

A Páscoa é a maior festa do calendário litúrgico cristão, por celebrar a paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo, mas a população acaba por dar maior importância ao Natal, que evoca o nascimento.

Luís Miguel Fonseca, da agência Lusa

É mais fácil “crentes e não crentes sintonizarem-se em torno do nascimento de uma criança”, destaca à Agência Lusa o padre Peter Stilwell, diretor da Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa.

A história da paixão e morte de Jesus Cristo, “para quem não conhecer os textos bíblicos, pode parecer aflitiva” e a ressurreição “já toca nos limites daquilo em que as pessoas são capazes de acreditar espontaneamente”, justifica.

Para Peter Stilwell não espanta por isso que muitos optem “por tirar férias nesta altura e apanhar o primeiro sol de primavera”, apesar de a Páscoa agregar os pontos estruturantes da fé cristã.

Stilwell garante que ainda há paróquias da capital que por esta altura “ficam a abarrotar de gente, mesmo sendo tempo de férias”.

Mas é no mundo rural que aldeias e vilas inteiras ainda param para participar em procissões e outras celebrações, como o Cantar dos Martírios ou a Via Sacra.

São regiões do país “em que se mantém um sentido de comunidade que traz consigo tradições que sempre foram celebradas em conjunto”, realça Peter Stilwell, um sentido de comunidade que nas cidades se perdeu.

São sinais “de uma identidade”, acrescenta por seu lado o padre Carreira das Neves, teólogo e professor catedrático jubilado.

No Alentejo, por exemplo, os homens que habitualmente contornam o espaço religioso, ocupado pelas mulheres, “fazem questão de pegar no andor das procissões ou percorrer a Via Sacra e fazem-no com honra”, sublinha.

Estudioso da Bíblia, Carreira das Neves acredita também que a importância da Páscoa não mobiliza tanta população “porque há falta de conhecimento bíblico: os católicos estão mais ligados aos santos”.

A Páscoa “é um processo complexo”, sublinha José Eduardo Franco, historiador e especialista em Religião, para quem a Páscoa é o exemplo de que “a importância de determinada celebração dada pela Teologia” pode não coincidir “com a afetividade popular”.

No Natal “há um nascimento”, enquanto “um homem numa cruz já não é uma imagem simpática”.

Por outro lado, “o processo de secularização (dispensa de preceitos religiosos) é quase irmão do processo de urbanização do país”, pelo que as “manifestações mais exuberantes mantiveram-se no campo, enquanto na cidade a espiritualidade é mais recatada”.

O campo tem “muito menos apelos concorrenciais” à religião, ao nível do lazer e entretenimento, pelo que o religioso, “que tem muito de teatralização” na Quaresma, “também tinha e tem a função de ocupar atenções”.

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3 comentários

  • Agora a "maltinha" . . . !
    Preocupa-se mais . . . !
    Com a "paixão" e "morte" . . . !
    Do 25/04/1974 . . . !
    alexandre barreira | 21.04.2011 | 13.01Hdenunciar comentário
    Tem a certeza que pretende denunciar este comentário? sim não
  • Também andam a fazer "estudos" sobre isso? Já caem de ridículos.
    AHAH | 21.04.2011 | 11.32Hdenunciar comentário
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  • Filhos, a morte e ressurreição de Cristo, na realidade é tão importante para a cristandade que é esse facto que é relembrado e celebrado em cada missa.
    WebDot | 21.04.2011 | 10.37H
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