Em segredo: EUA ajudaram França a melhorar armamento dos anos 1970
Os Estados Unidos ajudaram secretamente França a melhorar o seu armamento nuclear nos anos 1970, quando a administração Nixon pretendia dividir a Europa, revelam documentos norte-americanos inéditos.
Henry Kissinger, que era na época a ponte do presidente Nixon com a política externa, queria fazer crer aos franceses que eles podiam entrar em competição com o Reino Unido, na esperança de minar o projeto europeu, segundo documentos publicados pelo centro de investigação da Universidade George Washington e outro do instituto Woodrow Wilson.
França realizou os seus primeiros ensaios nucleares no deserto do Sahara em 1960, sendo o quarto país a deter armas nucleares, depois dos Estados Unidos, da União Soviética e do Reino Unido.
A posição oficial dos Estados Unidos foi recusar colaborar com Paris em matéria de armamento nuclear quando o general De Gaulle era presidente de França. No entanto, documentos inéditos revelam que Richard Nixon, desde que assumiu o poder na Casa Branca em 1969, entendeu que Washington não tinha meios para travar as ambições nucleares de França.
Por isso, os Estados Unidos começaram a passar a conta-gotas informações a Paris, dando a “Robert Galley [então ministro francês da Defesa] informações importantes mas que o vão fazer andar às voltas durante algum tempo”, de acordo com os termos utilizados por Henry Kissinger em 1973, nestes documentos inéditos.
Para isso, Washington teve de contornar uma lei que impedia qualquer forma de cooperação direta com Paris no nuclear. Os norte-americanos não davam nenhum conselho direto, dizendo apenas aos franceses se os seus projetos estavam a correr bem ou não.
“Não queremos que a unidade europeia avance e que se vire contra nós. Se os franceses pensarem que podem tomar a dianteira dos britânicos, então vamos cumprir o nosso objetivo”, explicou Henry Kissinger, citado num dos documentos agora revelados.
O Reino Unido acabou por se juntar à então Comunidade Económica Europeia em 1973 e, segundo William Burr, investigador dos arquivos da Universidade George Washington, Paris finalmente beneficiou da ajuda dos Estados Unidos.




