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Delta Tejo - Dia 3

A noite de se ser brasileiro

04 | 07 | 2011   11.09H

O tempo estava pouco veraneante mas este domingo, o terceiro e último do festival Delta Tejo, registou maior número de pessoas, graças aos ritmos de terras de Vera Cruz.

Vera Esteves | vesteves@destak.pt

Sob um manto cinzento no céu, os Expensive Soul foram protagonistas do melhor arranque de festival dos três dias, contrariando a ameaça da chuva com uma força alegre de quem está de bem com a vida e de quem a encara com muito hip hop, soul reggae e funk. New Max e Demo conseguiram percorrer os três discos em carteira durante a hora que lhes competia entreter os presentes, com maior enfoque no último trabalho, «Utopia», onde "O Amor É Mágico" e "Dou-te Nada" fizeram as delícias das largas centenas que marcaram lugar na frente do Palco Delta.

Surpreendidos pela mudança na hora da actuação (passou das 22h para as 20h30), muitos festivaleiros apenas apanharam a recta final do concerto de Virgem Suta no Palco Jogos Santa Casa, uma vez que assistiram ao espectáculo da dupla de Leça da Palmeira até ao fim. Mas assim que chegaram à tenda secundária, deram conta de um autêntico festim em palco, com vários espectadores ao lado dos músicos de Beja a cantar "Tomo Conta Desta Tua Casa". Manuela Azevedo, dos Clã, era a convidada especial para o tema "Linhas Cruzadas" mas ficou lá até ao fim, bem animada como é habitual. "Vóvó Joaquina" fechou o concerto com os artistas a mostrar vontade de continuar a comemoração noite dentro.

Vinda do Porto, onde actuou na Casa Música no sábado, Maria Gadú abriu a parte brasileira do cartaz, alternando entre um estilo mais pop-roqueiro e uma postura mais doce, onde não faltou o obrigatório "Shimbalaiê". Já com uma larga base de fãs em Portugal, a jovem teve uma boa performance, muito graças à elevada qualidade da banda que a acompanhava. Mas o que ganha em qualidade musical, perde em interacção com o público - muito escassa ao longo da actuação -, aproveitando a ausência de luz para abandonar o palco sem se despedir.

De regresso ao Palco Jogos Santa Casa, os cabo-verdianos Ferro Gaita (vestidos com as cores da sua bandeira nacional) levaram aquele espaço ao rubro com o seu funaná e o seu afropunk.

Mas rapidamente era altura de ver um dos cabeças de cartaz da noite. Com uma silhueta invejável para os seus quase setenta anos de existência, Ney Matogrosso surgiu menos exuberante e menos maquilhado que nos seus tempos aúreos, mas a voz, a pose teatral e a atitude provocante continuam lá.

Considerado um dos ícones da música popular brasileira, Matogrosso trouxe temas do disco «Beijo do Bandido», tais como "Fascinação" (popularizado por Elis Regina), "De Cigarro em Cigarro" ou "Bicho de Sete Cabeças", dando um espectáculo de alta qualidade, com nota positiva também para o quarteto que acompanhava o talentoso artista que usa jeans justos e casaco de cabedal como muito poucos da sua idade.

Para fechar a quinta edição estiveram presentes os Parangolé e o seu "Rebolation". Aclamados por uma comunidade imensa de brasileiros, os nordestinos mostraram uma maneira diferente de Maria Gadú e de Ney Matogrosso de comemorar o Brasil: a ordem era dançar, dançar, dançar. Os bateristas e percussionistas, a banda e as bailarinas foram conduzidos pelo líder Léo Santana que segurou a animação até às 2 horas da manhã.

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Foto: António Cotrim/Lusa
A noite de se ser brasileiro | © António Cotrim/Lusa
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