MP aponta datas de possíveis idas a Elvas
O procurador João Aibéo apontou hoje dez datas em que considerou possível que os arguidos do processo Casa Pia tivessem ido a Elvas para praticar alegados abusos contra alunos daquela instituição.
Usando como critério um período mínimo de cinco horas para a deslocação de ida e volta de Lisboa a uma velocidade média de 110 quilómetros e uma permanência na cidade alentejana entre uma hora e hora e meia, o representante do Ministério Público concluiu que vários arguidos poderiam lá ter-se deslocado.
Aibéo replicava no Tribunal de Monsanto, em Lisboa, às alegações finais da defesa de vários arguidos que tentaram provar que não seria possível aos seus clientes irem a Elvas nas datas apontadas, recorrendo a registos de activação de antenas de telemóveis, de cartões bancários e passagens em portagens de auto-estradas.
Os advogados dos arguidos Carlos Cruz e Manuel Abrantes haviam cruzado estes dados dos dois para tentarem desmontar a acusação de que ambos teriam estado na vivenda de Elvas para cometer os abusos sexuais, estratégia que João Aibéo contrariou dizendo que o facto de um não poder estar não exclui que o outro tenha estado no local.
O procurador contestou ainda as “fantasias inconscientes ou conscientes” de que os advogados de defesa acusam as vítimas, considerando que alguma argumentação das defesas é também “conjectura, convicção ou fantasia, porque prova também não é”.
A advogado da Casa Pia, Miguel Matias, abdicou do seu direito de réplica, afirmando que na generalidade se revia na argumentação que acabara de fazer o representante do Ministério Público.
O julgamento, que já teve 430 sessões nos mais de quatro anos de duração, prossegue sexta-feira com as réplicas da defesa do principal arguido, o antigo motorista da Casa Pia Carlos Silvino, da parte da manhã, seguindo-se à tarde a intervenção dos representantes do ex-provedor-adjunto da instituição Manuel Abrantes.
Segunda-feira será a vez das defesas do embaixador Jorge Ritto e do apresentador de televisão Carlos Cruz.
As réplicas às alegações finais deverão terminar terça-feira com as defesas do médico João Ferreira Diniz e do advogado Hugo Marçal, restando a arguida Gertrudes Nunes, dona da casa de Elvas, que aparentemente não manifestou intenção de replicar após as alegações finais.




