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Musica

«Em jovem, Mozart era o meu gótico»

30 | 05 | 2007   09.02H
Com dez anos de carreira e um álbum novo, Andrew Bird falou ao Destak antes dos três concertos que marcam o seu regresso a Portugal: hoje em Coimbra, amanhã no S. Jorge (Lisboa) e sexta-feira no Theatro Circo, em Braga.
Patrícia Naves | pnaves@destak.pt

Nos últimos anos, surgiram inúmeros singer/ songwriters que, tal como o Andrew, usam vários instrumentos, têm raízes clássicas... Como diria que se distingue desses músicos?
Talvez no sentido em que nunca liguei muito aos artistas meus contemporâneos, sempre segui o meu caminho. Aos sete anos já compunha melodias, depois fui para o liceu e todos os meus amigos ouviam música gótica, pop, Cure, Velvet Underground... Eu já gostava de música clássica. Mozart foi o meu gótico. E depois fui para o conservatório e continuei por aí, no meu caminho.

Como descreveria o seu som?
Não sei. Talvez experimental, mas sempre a mudar. No início escrevia virado para o jazz, agora é mais na base de dois ou três acordes com experiências... Sim, experimental.

Já passaram dez anos desde o primeiro álbum e, no entanto, o reconhecimento público pareceu só ter chegado em 2005, com Mysterious Production of Eggs. Como explica isso?
Terá sido até, talvez, no disco antes. E foi porque mudei o que fazia, como fazia.

Em que sentido?
Mudei-me para o campo, afastei-me de contactos e influências, trabalhei só com base na minha imaginação. E foi a partir daí que algo diferente começou a surgir.

O novo álbum tem uma colaboração com Martin Dosh, um músico electrónico. Tenciona dar mais espaço à electronica na sua música?
Não creio. Vejo mais as coisas no sentido de usar a tecnologia na música, como uso vários instrumentos. Vejo o que ele faz e gosto. Mas creio que, no futuro, seguirei rumo a caminhos mais acústicos e minimalistas.

Há músicos com os quais gostasse de colaborar? Quais?
Talvez M.Ward, que admiro. E há outros, mas a maior parte estão mortos.

Qual é, para si, a importância da prestação ao vivo?
É o mais importante de tudo, mais do que gravar um disco. E o mais divertido. É tudo mais honesto, mais directo, não consigo fugir do que sou.

Já esteve em Portugal. Do que se lembra dessa ocasião?
Lembro-me que o público português era muito quente. E lembro-me de Lisboa, de passear sem compromissos. Ainda hoje é uma das minhas cidades preferidas no mundo.

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