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OPINIÃO

Gente pouco cão

10 | 07 | 2011   18.56H
João Malheiro

Foi uma semana diferente, singularmente diferente. Menos futebol, menos política, menos social. No Norte, por Vila do Conde, mas já antes, por Lisboa, o tema predilecto das abordagens públicas foi o Toy, que relegou para segundo plano, disparadamente, Fábio Coentrão, Passos Coelho, Angélico ou outras personalidades que fizeram a cara das notícias nos últimos dias.

Mas quem é o Toy? E por que me falam tanto do Toy? O Toy é um cão, cão como nós, diria o meu amigo Manuel Alegre. A “Nova Gente” contou a história. Avançou que o Toy foi prenda para a Catarina, ex-companheira, há mais de um ano. Relação terminada, o Toy tem direito a uma pensão de alimentos, são 50 euros depositados, com fidelidade canina, no primeiro dia de cada mês, na conta bancária da dona.

O Toy merece, todos os animais mereciam. Mais ainda sendo cão e “cão ama os seus amigos e morde os seus inimigos, bem diferente das pessoas, que são incapazes de sentir amor puro e têm sempre que misturar amor e ódio nas suas relações”. Freud tinha cão? Freud tinha cães? Freud tinha, seguramente, mais cão ou mais cães na casota larga dos seus conceitos notáveis.

Anda por aí tanta gente, gente tão pouco cão, incapaz de dar pensões aos filhos. É gente indomesticável, que ladra à vida e, ainda assim, não perde o estatuto de gente. Só que não tem o estatuto de cão, jamais terá, que esse está mesmo reservado para quem rosna às injustiças, às aflições, às raivas.

O tema Toy continua a dar osso. Continua a suscitar prosas. Um tal de Serrão explicou que “Malheiro, de quem já era conhecida a sensibilidade para lidar com animais…”. Nem todos, nem todos. Sobretudo se forem homens. Homens pouco ou nada cães.

© Destak
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