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OPINIÃO

Não pagamos!

28 | 09 | 2011   18.42H
João César das Neves | naohaalmocosgratis@ucp.pt

O Estado português está a cortar a despesa pública. Esta frase só pode ser piada. «Cortar despesa» é coisa que o Estado português nunca fez em 850 anos de história. É verdade que tem falado muito nisso. Pode até dizer-se que é a coisa que mais tem falado ao longo dos séculos. Mas cortar a despesa, cortar não cortou. Nunca!

Às vezes a despesa desce por si mesma, como aconteceu aos juros no caminho para o euro. Outras surge uma ditadura que trata disso, com João Franco ou Salazar. Mas deixada a si mesma, em liberdade, nunca a despesa pública portuguesa desceu.

É verdade que a troika está a criar uma espécie de «ditadura financeira» no meio da democracia: ou se reduzem os gastos ou não há mais dinheiro. Será que isto chega para que finalmente se possa ver este fenómeno cósmico de o Estado português cortar despesa? Promessas são muitas e duras, mas isso é costume. Até agora «descer despesa» teve apenas o significado clássico em linguagem orçamental: subir impostos.

Ah, é verdade, e também há aquele truque canónico que parece mesmo descer despesa mas não é: o Estado não paga as contas. Trata-se de uma forma de criar dívida pública informal, usando os fornecedores como caixa económica. Assim gasta menos: os bancos queixam-se que o seu único problema de solvabilidade é o sector público não pagar o que deve, milhares de pequenos fornecedores são estrangulados por dívidas a cobrar do erário público, a Ordem dos Advogados ameaça processar o Estado por pagamentos em atraso das defesas oficiosas. Mas cortar a despesa, cortar não cortou.

© Destak

7 comentários

  • Verdade verdadinha. As "boas famílias" estão todas alapadas na máquina e distribuem entre si as vantagens. Chamam-lhe meritocracia. Ou se é excepcional ou se tem o nome de família certo. Mas ser excepcional não é tão seguro. Bom mesmo é um nome com pelo menos quatro apelidos. Se calhar é mentira, não?
    Paulo | 03.10.2011 | 19.00Hdenunciar comentário
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  • Não cortou ainda porque sabe que quando cortar haverá um novo golpe militar corporativo como o de 1974. O 25 de Abril foi feito para que os oficiais das Forças Armadas Portuguesas salvaguardassem o direito às progressões, bónus, e outros privilégios e monopólios corporativos e de classe. Agora vão ser os excedentários a fazer um novo golpe de Estado para se auto promoverem e perpetuarem na Função Pública, sector Público Administrativo, etc. Os parasitas, os traidores e os ladrões existem em todas as épocas e são sempre os mesmos oportunistas sem escrúpulos nem honra ou vergonha na cara, só mudam os nomes e as datas do calendário.
    Miguel | 03.10.2011 | 00.25Hdenunciar comentário
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  • Passados 20 anos após o derrube da URSS, pelos papalvos, vêm-nos dizer que não é possível manter nos países de economia de mercado o nível de vida com ludibriaram os povos dos países de leste, levando-os a derrubar o poder vigente. Não serão precisos mais 20 para, afinal, estarmos a viver como se vivia na antiga URSS... Então os gastos do Sr. Alberto João desenvolveram a Madeira, mas os gastos de Sócrates não trouxeram nenhuns benefícios? Se quereis encontrar um cristão procurai-o entre os ateus!
    Abel | 29.09.2011 | 19.48Hver comentário denunciado
  • A propósito do título do seu artigo e não do conteúdo ocorreu-me escrever sobre uma matéria que me causa "muita espécie" desde há longo tempo. Na passada semana, desloquei-me de carro a uma cidade deste país e, para evitar as portagens, fui pela estrada nacional. A dada altura, passei por uma zona industrial e na berma da estrada, estava uma mulher vestida de forma provocante e com um preservativo na mão, cheio de ar, que ela abanava como se fosse um balão. A minha primeira reacção foi literalmente visceral, o estômago embrulhou-se-me, e a náusea apossou-se de mim. Passado esse momento, foi a vez da voz do coração falar e depois a vez da voz da razão. A voz do coração fez-me sentir uma enorme compaixão por aquela mulher, que estava ali a vender o corpo, duma forma tão degradante, para quem, sabe-se lá quem, o quisesse comprar ... Depois, a voz do coração mudou de timbre e da compaixão passou à indignação e à revolta ( entretanto, já tinha passado por mais uma e mais outra ainda)! Essas mulheres, tinham sido lá depositadas por algum ser, que me escuso de classificar, que lhes teria imposto um certo montante de "facturação" e claro que, se não o atingissem a "recompensa" seria a não esquecer. Ali estavam várias estórias pessoais cruzadas, que ainda se haviam de cruzar com as de quem parasse naquelas bermas de estrada e quem sabe com aqueles que se relacionam directamente, com esses "pedintes" de sexo à la carte, os chamados clientes. Foi a vez da voz da razão se erguer e de fazer-se ouvir - este negócio, movimenta milhões, economia paralela, pela qual as autoridades passam de olhos vendados. Porquê, mas porque é que este negócio não é legalizado, devidamente inspeccionado sob o ponto de vista sanitário, e necessariamente tributado? Quais são os interesses ocultos que permitem esta economia paralela e facultam aos seus praticantes o desplante do "NÃO PAGAMOS!"
    VITÓRIA DE SAMOTRÁCIA | 29.09.2011 | 18.16Hdenunciar comentário
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  • Portanto, caro JC das Neves, vªexª finalmente reconhece que este governo não está a fazer absolutamente nada! Até que enfim que abriu os olhos! Aleluia!
    alfa | 29.09.2011 | 14.49Hver comentário denunciado
  • Claro que não irão ser feitos cortes que nos conduzam ao equilibrio financeiro! Apenas iremos assistir à diminuição do ritmo de endividamento. Para reduzir mesmo teríamos de viver ao nível que a nossa economia permite. Dito de outra forma, teríamos de viver ao nível dos tempos da outra senhora, isto é, na miséria total. Por último, andava desejoso de ter a oportunidade de denunciar essa treta das defesas oficiosas, onde a vigarice prolifera. NOTEM: há algum tempo atrás, fui detido pela Brigada de Trânsito, por suposta manobra perigosa e responder em processo sumário. Daí, contactei o meu advogado para tratar da minha despesa. Passados uns instantes ele compareceu no tribunal, cumprimentou-me e dirigiu-se à secretaria. Fui no encalço dele e vi-o a preencher documentos para defesa oficiosa, sem o meu conhecimento e sem a minha solicitação. Não lhe disse nada. Passados dias, fui ao escritório dele para pagar os honorários, tendo-me este apresentado uma conta de 750 euros. Aí, questionei-o sobre o facto de ele se haver apresentado como defensor oficioso. Não teve como negar o facto e admitiu a irregularidade, tendo recebido das duas formas. Vejammmmmmmmmm ! De certeza que situações destas proliferam por aí. Acresce referir que uma boa parte das defesas oficiosas não se justificam porque os defendidos não têm falta de recursos. Por esses tribunais, assistimos a uma vigarice generalizada com cumplicidades de magistrados, advogados, funcionários judiciais, etc, etc, etc. Conheço casos de funcionários que vão a casa de arguidos dar-lhes informações processuais e aconselhamentos, cobrando os respectivos honorários. Enfim, também a justiça o reflexo da sociedade em que vivemos.
    NENÉ | 29.09.2011 | 12.05Hdenunciar comentário
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  • Caro JCN . . . ! 850 anos . . . ! De história . . . ! É obra . . . ! E o melhor da história . . . ! É que só . . . ! Ficaram as "maguinhas" . . . ! Para contar . . . ! Os "grandes feitos" . . . ! ! !
    alexandre barreira | 29.09.2011 | 07.07Hdenunciar comentário
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