Crescimento económico
Um economista português, por acaso director do departamento europeu do FMI, já veio dizer que não temos saída se a economia não crescer. Já sabemos que é para pagar os juros. Aliás, uma economia baseada nos juros, como é a economia financeira em que vivemos, pressupõe um crescimento permanente. Por isso, soam os alarmes e dobram os sinos quando se entra em recessão.
Mas vamos fazer as contas. Se produzíssemos 100 e crescêssemos a 10%, no segundo ano produziríamos 110. No quinto ano já produziríamos 146 e aumentávamos para 161. Se fizermos mais contas, veremos que em oito anos duplicávamos a produção e aos 25 produziríamos dez vezes mais. A partir daí, aumentávamos num só ano mais do que aquilo que produzimos agora. Seria o que se chama um crescimento exponencial.
Estamos a falar de riqueza produzida: operários trabalhando, fábricas a abrir, máquinas a funcionar, chaminés a fumegar, lixo a soterrar e recursos energéticos a consumir. Tudo isto a duplicar passados oito anos, a decuplicar passados 25, e a explodir passados outros tantos. Se todos os países crescessem assim, ou mesmo a 5% que fosse, ou menos ainda mas sempre a crescer, já o planeta seria apenas lixo sem recursos e intoxicado de gases poluentes. Mas é neste cenário que os financeiros apostam. Foi por isso que Kenneth Boulding, um proeminente economista, disse que quem acreditar que o crescimento exponencial pode continuar num mundo finito, ou é louco, ou é economista.






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