Austeridade e mesquinhez
Austeridade é a receita da senhora Merkel para os países periféricos. A receita tem sido aceite, embora o exemplo da Grécia esteja a demonstrar que a austeridade só complica as coisas. Pior: ela apanhou-nos numa armadilha, já que foi prescrita a contra golpe depois das efémeras medidas keynesianas que obrigaram os europeus a endividarem-se. Como Paul Krugman tem argumentado, nunca se provou que a austeridade seja um remédio eficaz. Pelo contrário, ela é apenas uma opção ideológica promovida por uma classe de moralistas que domina Wall Street, a Casa Branca e os conservadores europeus. E dirige-se aos serviços públicos com o desígnio de emagrecer o Estado e facilitar as privatizações.
Como se impôs tal receita, é um problema para analisar. Uma resposta possível é o acolhimento que a comunicação social lhe tem dado. A crise económica e o empobrecimento que ela provocou semearam a desconfiança e a inveja. Quem aceita, impotente, a austeridade imposta, apenas olha para o vizinho para ver se ele tem mais e porquê. Os meios de comunicação social, atentos às audiências, dão à populaça o que ela pede. E a mesquinhez torna-se regra.
Nesta semana, alguns políticos do actual executivo renunciaram ao subsídio de residência depois de expostos na comunicação social. O Estado poupou uns tostões. Grossa mesquinhez, como mesquinhos são os vencimentos dos políticos. Mas os visados não se podem queixar, pois pertencem ao colectivo que impôs a austeridade.





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