O futuro das crianças decide-se já!
Estudos como aquele que é relatado na notícia aqui ao lado obrigam-nos a repensar com urgência a forma como lidamos com os abusos infantis. É que ao provar que os maus tratos modificam o cérebro, condicionando a criança, a sua capacidade de aprendizagem, a forma como se relaciona com os outros e com o mundo, estes trabalhos vêm proibir que se continue a agir como se houvesse sempre tempo para emendar a mão, como se fosse indiferente deixar uma criança com os pais maltratantes “só mais um bocadinho para ver no que dá”, ou entregue a uma instituição enquanto diletantemente se procura “um projecto de vida”.
Obrigam a deixar de lado, e para sempre, a ilusão de que as crianças esquecem depressa, e que basta um brinquedo para apagar as memórias mais pesadas. As crianças não esquecem. Pior, não podem esquecer, mesmo que um dia tenham a sorte de encontrar um colo, porque as marcas estão impressas a ferro e fogo. Num país que tem dez mil crianças institucionalizadas, às vezes até à maioridade, somos todos cúmplices deste crime. Se lhe somarmos aquelas que são vítimas de uma violência escondida, e que nunca chegam sequer ao conhecimento da Justiça, então o nosso pecado torna-se ainda mais pesado.
Talvez a ciência consiga mudar a mentalidade daqueles que acreditam que os laços de sangue chegam para sarar feridas, dos técnicos e juízes sabonete, como lhe chamava um pedopsiquiatra francês, que lavam as mãos do destino dos mais pequenos. É hipócrita pensarmos nisto apenas quando um adolescente comete um acto de violência contra um cidadão respeitável. Ai começamos a falar em baixar a idade da prisão!





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