Subvenções vitalícias
Ressuscitada na opinião pública a obscenidade das subvenções vitalícias dos ex-deputados e de outros ex-dignitários do regime, alguns houve que se aprestaram a anunciar a sua renúncia ao óbolo pátrio que os compensava dos ardorosos anos de pousio em S. Bento.
Infelizmente, porém, não se predispuseram a restituir tudo quanto a esse título haviam já recebido. Assim sim, embora tardiamente, se repunha um pouco da moralidade necessária. E sem grande risco para os próprios, porquanto é quase seguro inexistir na Contabilidade Pública rubrica que consinta “devoluções”. Mas desiludam-se os algozes da classe política.
Os políticos são o produto da sociedade que os gerou e os elegeu. Permitiu a muitos este e ainda piores descaros. E não reconheceu a outros uma dignidade intangida e um insuperável sentido do dever. Somos o que somos. Somos o espelho dos nossos dirigentes e das nossas elites. Perduráveis as más. Episódicas e transitórias as boas. É por isso que chegamos à beira do precipício. E quem ainda não deu por isso anda muito distraído.






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