O pânico e o riso
Dirigentes europeus, eurocratas, economistas do sistema, banqueiros, investidores, especuladores e gestores de fundos entraram em pânico esta semana. Porquê? Porque o Primeiro-Ministro grego resolveu colocar a democracia acima das finanças, depois de ver o seu país humilhado por quem lhe impingiu submarinos e outras inutilidades, o roubou com juros usurários, o armadilhou com as promessas do euro e lhe secou financiamentos privados enquanto recebia sem queixume as poupanças que circulavam da periferia para o centro da Europa.
Todos berram contra os gregos porque sabem que, com a desistência de um pequeno país em alinhar com demandas impossíveis, é o sistema financeiro que entra em colapso, bem como a possibilidade de fazer dinheiro a partir do dinheiro. Mas ninguém cuida de olhar para os pés de barro em que tal sistema assenta. Na verdade, foram eles que o promoveram, e dele recebem o seu sustento. As improdutivas classes que agora entraram em pânico andaram anos a fio a enfraquecer os Estados e a favorecer os mercados predadores que já ninguém controla.
Entretanto, a China ri-se. Fiéis ao primado da política, nunca os chineses abdicaram do seu poder sobre os mercados, dos quais foram, paulatinamente, tirando o melhor proveito. Hoje vê-se que ganharam. Mas não deixa de ser irónico que, enquanto a estratégia da China se mostra vencedora, um país do mundo livre é acusado de devolver à política democrática as decisões vitais para o seu futuro.





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