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OPINIÃO

Gerações

09 | 11 | 2011   21.54H
João César das Neves | naohaalmocosgratis@ucp.pt

De vez em quando surgem na opinião pública frases que ninguém sabe de onde vêm, mas que rapidamente se tornam lugar-comum. À força de repetição toda a gente as aceita, sem questionar a veracidade. Uma das mais influentes hoje é a certeza que esta é a primeira geração viverá pior que seus pais. Que é que isto exactamente quer dizer? Se começarmos a perguntar, tudo se esfuma rapidamente. Não se entende a que gerações se refere, nem o que significa exactamente viver pior. Nem sequer se percebe se a comparação entre gerações é feita num instante do tempo, ao longo de vida ou em idades comparáveis.
O pior de tudo é usar-se como unidade de medida a geração, que tem pelo menos 25 anos de tama-nho. Nenhuma análise séria se atreve a fazer prognósticos a tal distância. Por outro lado as gerações encontram-se misturadas no mesmo momento de tempo, tornando impossíveis as comparações. Há novos e velhos que são ricos e pobres.
O sentido mais comum da expressão não tem em conta o significado específico das palavras, pretendendo apenas dizer que estamos a viver pior que antes e vamos ficar assim no futuro. Mas extrapolar da actual recessão para uma evolução geracional torna a frase evidentemente falsa. Uma geração é muito tempo. As pessoas já se esqueceram que há 25 anos se vivia sem telemóvel, internet, centros comerciais e só com dois canais de televisão.
Pretender afirmar o que quer que seja sobre o futuro, sobretudo a tal distância, é uma arrogância es-pantosa. O que só mostra que a actual geração é tão tola como seus pais.

© Destak

7 comentários

  • Podemos estar à beira de uma rotura social generalizada e este "moço" anda a fazer crónicas sobre as diferenças das ondas na praia.
    anónimo | 11.11.2011 | 15.56Hver comentário denunciado
  • O senhor comentador Álvaro Leitão, está enganado. A geração anterior aos actuais jovens é, ao contrario da sua afirmação, uma geração de emigrantes. Canadá, Estados Unidos da América, Luxembrurgo e França são bons exemplos de países que acolheram essa geração. Os jovens actuais, ainda que emigrem por não encontrarem emprego compatível com as suas habilitações, têm ainda assim um grau de escolaridade superior à geração precedente. Obviamente que existe precaridade e a situação económica é má. Mas temos actualmente um grau de conforto e capacidade económica largamente superior à que existia na geração anterior. Se hoje em dia uma família não pode comprar bife do lombo porque é muito caro, compra carne picada porque é mais barata. Mas para a geração anterior, comer carne era um dia de festa. Se um jovem não tem dinheiro para meter combustível no carro, desloca-se de transporte público. Mas antigamente, a maioria das pessoas não tinha sequer carro e, andava-se a pé. Actualmente, se um jovem não tem saldo no telemóvel para fazer uma chamada tem que esperar até chegar a casa para ligar do telefone fixo. Antigamente, a maioria das pessoas não tinha sequer telefone e esperava-se, vários dias se necessário, até poder falar pessoalmente. O que realmente se passa é que os nossos critérios de conforto são cada vez mais exigentes e, como temos memória curta, não entendemos que vivemos num mundo com cada vez mais luxos. Cada vez que acontece uma crise e temos que apertar o cinto não temos capacidade para entender que, ainda assim, estamos muitíssimo melhor que a geração anterior.
    Humberto Reis | 10.11.2011 | 20.22Hdenunciar comentário
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  • Coisas de próxima geração: http://www.destak.pt/artigo/110368-alteracoes-a-le i-preve-colocacao-de-camaras-de-video-em-instalaco es-policiais
    BONS COMENTÁRIOS, IDEIAS NOVAS | 10.11.2011 | 17.35Hdenunciar comentário
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  • O conceito é complexo (articula demasiadas variáveis) e, nesse sentido, difícil de operacionalizar. Contudo, há indicadores que saltam aos nossos olhos. Os nossos filhos, apesar das inovações tecnológicas que enumera, não conseguem encontrar emprego compatível com as habilitações académicas e científicas que possuem, vendo-se forçados a emigrar. Esta precariedade não aconteceu connosco e, tenho a certeza, consigo também não... Por isso, creio que não devemos ser tão definitivos nas afirmações que fazemos... AL
    Álvaro Leitão | 10.11.2011 | 10.36Hdenunciar comentário
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  • Sim, sim. O povo é tolo. As elites é que são boas. Sobretudo os professores de economia.Como se tem visto nos últimos tempos.
    alfa | 10.11.2011 | 10.16Hver comentário denunciado
  • Caro João César das Neves, o telemóvel, internet e centros comerciais, não trazem felicidade a ninguém, pelo contrário, sem essas modernices, talvez houvesse menos dívidas e todos vivêssemos um pouco melhor. Provavelmente, o Sr não estaria a escrever artigos de opinião, mas talvez estivesse numa profissão mais rentável para o país.
    Versus | 10.11.2011 | 09.50Hdenunciar comentário
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  • Caro JCN . . . ! A parte final . . . ! Está divinal . . . ! Mas, caríssimo . . . ! Não sei se . . . ! É pai . . . ! Mas se for . . . ! Não se atrapalhe . . . ! ! !
    alexandre barreira | 10.11.2011 | 06.49Hdenunciar comentário
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