Teste grego
O mundo deve muito à cultura grega, que nos ensinou a filosofar, fazer arte e tantas mais. Mas é bom lembrar que a primeira vez que esse povo deu nas vistas foi no final de uma guerra, ao introduzir na cidade vitoriosa um pequeno número de guerreiros escondidos, que levaram à ruína os vencedores.
Hoje a União Europeia sente-se como a velha Tróia. A Grécia, a única economia obrigada a ficar de fora aquando do nascimento do euro em 1999, só entrou em 2001, aldrabando as contas para o conseguir. Hoje é a dissimulada e pequena Grécia que gera a crise alegadamente fatal para o euro. O teste grego tornou-se assim decisivo. A dois níveis.
Para os países em dificuldades, como nós, a finalidade é provar que somos muito diferentes da Grécia. E somos. Mas é bom não esquecer que temos por cá muitos «gregos». Todos aqueles que convidam à subversão, recusam os sacrifícios, duvidam do caminho e esquecem as tarefas de reconstrução em nome de vinganças ou raivas, repetem aqui aquilo que, mais que a dívida, afundou o nosso parceiro helénico. Porque o problema grego tem sido, acima de tudo, de solidariedade nacional.
O teste grego é também precioso para a União. Esta perturbação mostra bem os enormes custos do fim do euro. Instabilidade cambial, perda de poupanças, colapso financeiro e recessão económica, não só nos estados membros mas em todo o mundo, são a alternativa a uma solidariedade comunitária, de que muitos ainda duvidam, mas que certamente acabará por vingar. A Europa tem de sair mais forte do teste grego. Ou não sai.





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