Cavaco, queres ser meu amigo?
Quando leio que o Presidente da República fez declarações ao País no Facebook, e que o primeiro-ministro respondeu na “rede social”, sendo depois aferida a importância de um e de outro, pelo número de fãs da página, pela quantidade de likes ou comentários, julgo que o mundo enlouqueceu. E imagino o criador do Facebook deitado no chão, com as patinhas para o ar, a rir como uma barata da forma como até os políticos do planeta se condicionaram às suas regras. Aquilo que foi, e muito genialmente, diga-se de passagem, inventado para ser uma plataforma de encontros para jovens universitários, arrisca-se a ser transformado no meio de comunicação da nata da nata que decide os nossos futuros. Independentemente do absurdo das deduções feitas, até por jornais respeitáveis, do valor de cada página – pode ser “fã” de alguém a pessoa que mais a odeia, e é ridículo pensar que os subscritores do Facebook são uma amostra representativa da Nação, e que os seus comentários tem mais valor do que apenas uma opinião avulsa – não me parece razoável que os mais importantes líderes do país se degladiem por “posts”, ou nos falem através deles.
Fantástico, a deixar clara a distância entre estas redes e a vida real, é o trailer de Two Boys, a nova ópera de Nico Muhly´s, que é obrigatório ver no Youtube (Do you want to be my friend?). Durante uns segundos, vemos, numa versão de “apanhados”, um rapaz a perguntar a um grupo de rapazes se querem ser seu amigos, mostrando-lhes o seu álbum de fotografias, a colocar um post-it amarelo com um “like” na bicicleta de um ciclista, a espantar uma lojista ao preparar-se para lhe escrever na parede (Wall), e a seguir uma horrorizada rapariga que de repente percebe que está a ser seguida como no twitter. Nesse momento, se não tiver sido antes, entendemos que é sábio saber distinguir para que servem as coisas.





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