As vantagens de ler revistas antigas
Ontem encontrei uma revista antiga que tinha guardado para ler um artigo sobre o porquê das mulheres asiáticas estarem a rejeitar o casamento. A pobre da The Economist já estava amarelecida, apesar de só ter ainda três meses, mas a descoloração do papel não era nada quando comparada com a velocidade com que as notícias no seu interior se tinham desactualizado. O artigo dedicado ao vandalismo em Londres parecia um artigo de ficção científica: nem mesmo os políticos que juraram então que procurariam a causa das coisas já se lembram do que se passou, quanto mais cumprir o prometido. Khadafi, por esta altura, ainda estava bem vivo, e se é verdade que já se previa que não havia saída para o coronel, as profecias também falharam. Quanto às questões do euro, nem me atrevi a mergulhar nelas, mas entendi que nesta, como em muitas outras questões, de facto prognósticos só no final do jogo.
E soube-me bem esta leitura atrasada, que nos deixa com a certeza de que a humanidade tem imensa capacidade de ir resolvendo e superando os problemas, e que os obstáculos intransponíveis afinal são superados, ou não sendo, se descobre que também há caminho noutra direcção. Não quer dizer que seja inútil o que se diz, escreve ou comenta, porque é certamente dessa troca de opiniões, destes artigos que fazem pensar, dos alertas dados, que as soluções se encontram, mas é animador. Apesar de todos os títulos catastróficos de jornais e aberturas pessimistas de telejornais, vamos sair disto tudo, e se calhar melhor do que alguma vez imaginámos.
Quanto ao dossier sobre o casamento na Ásia, espero bem que os políticos daqueles países o tenham lido. As percentagens de mulheres solteiras é maior do que no Ocidente, e a taxa de natalidade baixou dramaticamente. Com uma diferença, diz o Economist: é que o Estado estava convencido de que seriam sempre as famílias a tomar conta dos idosos. E as famílias mudaram, pelo menos até à proxima edição...







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