Sonhar
Quando sonhamos, sonhamos sozinhos. Mesmo os sonhos colectivos nascem muitas vezes desse sonho pessoal, e muitas outras convivem com os nossos pequenos sonhos intransmissíveis.
Podemos ambicionar o mesmo que o senhor que está sentado ao nosso lado no comboio, mas temos formas e maneiras diferentes.
É quando a capacidade de sonhar, de viver em ambição de concretizar esse sonho, que a vida perde a cor, perde o norte e tudo nos pesa nas costas.
O que era difícil fica então insuportável, todos os medos nos assolam e nos tomam as forças.
A vida perde o sentido, e ficamos presos de um sentimento de incapacidade, de derrota antecipada.
Porque sem esses pequenos e ridículos sonhos deixamos de ter ambições, esperanças e expectativas.
Todos conhecemos pessoas felizes, naturalmente felizes e muitas delas com vidas difíceis.
Como conseguem manter a cabeça levantada, o sorriso pronto a aflorar o rosto e a gargalhada tão viva?
Talvez a resposta esteja no facto de nunca perderem essa capacidade de sonhar. Mesmo sem o saberem, olham sempre para tudo como se houvesse uma resposta, como se o amanhã trouxesse seguramente uma solução.
E depois existem os outros, que mesmo tendo ao que parece tudo, apenas sabem viver com o medo de perder. Perder poder. Perder dinheiro. Perder afectos.
Mas não perder sonhos, porque isso não sabem o que é. Chamam-lhes objectivos e a diferença reside exactamente aí, nesta pequeníssima palavra.





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