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EDITORIAL

O complexo de que lá fora é que é

05 | 12 | 2011   21.18H
Isabel Stilwell | editorial@destak.pt

O nosso grande problema é que passamos o tempo a imaginar que “lá fora” é muito melhor do que cá dentro, e essa sensação de que poderíamos ter nascido num sítio melhor do que aquele em que viemos ao mundo vai corrompendo a nossa felicidade. Mesmo quando o comboio parte a horas, o metro tem espaço para estendermos a perna e lermos o jornal, mesmo quando a caixa multibanco funciona, e a Via Verde nos permite deslizar pela estrada sem paragens, mesmo quando as urgências dos hospitais nos atendem depressa e bem, e sem nos levarem nada por isso, mesmo assim imaginamos que se estivéssemos em Londres, ou em Paris, até em Madrid tudo seria melhor. Ao primeiro contratempo revelamos a falta de fé nas nossas capacidades, e vociframos que “lá fora”, lá fora nada daquilo seria possível.

A nova geração teve uma vantagem sobre a minha: viajou muito mais, e provavelmente teve a sorte de completar uma experiência de Erasmus, num outro país europeu. E aí constatou que “lá fora” também há erros no aviso da plataforma de que parte o comboio, há linhas de metro que fecham ao fim-de-semana por causa de obras, que os dormitórios das universidades não passavam uma inspecção da ASAE (e muito menos das suas mãezinhas), e que nem toda a gente é sorridente e prestável, muito pelo contrário.

O pior é que esta ideia latente de que somos uns desafortunados impede-nos de lutar pelo que é nosso, e de nos associarmos de forma mais solidária para mudar o que não está bem. Afinal, se estamos todos secretamente à espera de emigrar, não vale a pena investir na terra onde nascemos, e lá nos deixamos todos cair na maledicência à mesa do café, em lugar de juntarmos esforços. Essa nostalgia por um mundo que não existe fica choca quando, ao sairmos de portas, descobrimos que os países dito ricos o são porque vivem de forma muito mais modesta do que suponhamos, no que consideramos mesmo uma avareza de luxos postos à disposição dos cidadãos. Vai-se a ver, e até parecem pobres! Sinceramente, devíamos investir num bilhete de avião para cada português. Não há como ver para crer.

© Destak

13 comentários

  • Afinal com esta mesma conversa que os "oportunistas" do pós 25 de Abril conseguiram manter uma população inculta a acreditar que era a maior e que vivia num mar de rosas, e que até podia tornar-se culta com concursos televisivos e cursos tirados por correspondência, e já está: fizeram pensar essa população que em Portugal é que era bom. Portanto, esta senhora só pode fazer parte desses "oportunistas" também, e ser um veículo da mesma desinformação com que mantiveram um povo 37 anos a patinar em fantasias, enquanto os parasitas se instalavam por todos os cantos possíveis da sociedade portuguesa. É a técnica de iludir multidões, que faz delas cordeiros mansos e pouco ou nada exigentes, porque afinal "lá fora não é assim tão bom como dizem". É cúmplice do estado lastimoso a que levaram o país. Faz com toda a certeza parte da "treta" maçónica que re-infestou Portugal.
    CUMPLICE? | 06.12.2011 | 22.45Hdenunciar comentário
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  • Anticristo e João, a Isabel Stilwell não é parva. Ela faz isto, para nos espicaçar nos comentários. Ou seja, cria polémicas. Ou talvez não, e seja mesmo parva !!!
    David JM Torres | 06.12.2011 | 21.43Hdenunciar comentário
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  • Um comentário não chega para exprimir o quão parece que esta senhora não olha para fora. Tendo tido uma experiência Erasmus, não posso deixar de discordar... Mas de facto viver lá fora durante 6 meses, abre os olhos a que lá fora É DIFERENTE. Não é por ser mais barato que "lá fora" é melhor. Nem é especificamente porque somos melhor atendidos nas urgências. É porque nas grandes cidades Europeias a qualidade de vida é outra. Há mais e melhores transportes, há mais oportunidades de emprego (MUITAS MAIS), maior ligação (e mais barata) a outros pontos de interesse europeus, em muitos países há menos corrupção, há menor desigualdade de rendimentos, Surpreende-me que a directora de um dos jornais com a maior tiragem em Portugal, não se dê ao trabalho de ler também um pouco sobre os restantes países: - As economias nórdicas da Europa, onde a Educação e Saúde são grátis em contrapartida de um maior imposto sobre o rendimento - algo que teria todo o gosto em fazer no meu país pelas mesmas contrapartidas. - Ou os países onde não se pagam Portagens nas autoestradas. - Ou países em que a justiça... a há! - Ou os paises onde há dupla tributação do IVA para comprar um automóvel. - Ou países onde as bolsas de estudo para investigação são verdadeiramente competitivas e permitem levar uma vida normal. Portugal tem muitas coisas de bom, muitas mesmo. Mas artigos como nós não precisamos. Parece que só porque tem um poleiro e lhe apetece bater as asas... lá vai disto! Nem que seja só para levantar pó. Com estas notícias sensacionalistas, não são os portugueses que têm o "complexo", mas a Sra. Isabel Stilwell, que merecia um bilhete de avião para ir e ver parar crer. Se calhar não quereria voltar.
    joao | 06.12.2011 | 18.41Hdenunciar comentário
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  • Esta velha continua a viver fora do sistema solar. Se calhar vive num planeta com pouco oxigénio e por isso dá-lhe cabo da mioleira. Ó minha senhora, nos EUA a saude é paga e bem, mas voce é tratada como uma rainha, e nao apodrece nas urgencias dos hospitais enquanto os medicos estao a comer o cu às enfermeiras ou vao aos 5 ao bar, enquanto o zé povo espera nas urgencias, porque se a malta vai as urgencias é porque pode esperar. Ou nas finanças por exemplo pnde ha gente tao competente, ou até na loja do cidadao onde a malta espera enquanto elas veem albuns de fotos. Mas quer mais? Eu perdi a conexão do voo de Madrid para os EUA numa viagem de negocios e a iberia pos-me num hotel 4 estrelas a dormir e nao nos corredores do aeroporto.... Mas se isto nao chega, veja o exemplo do candidato dos EUA à presidencia. Uma velha lembrou-se de dizer que foi assediada por ele à 10 anos e o gajo desiste. Sabia que não tinha mais hipotese. Aqui, os nossos politicos sao gatunos, vigaros e até assassinos, e tem uma puta duma cara de pau que só visto.Veja o isaltino, o portas, o vara, o jardim, o socrates, o campeao Dias Loureiro, o valentm loureiro, a felgueiras, o passos, o Duarte Lima e até o padrinho dos mafiosos Cavaco Silva.... É surreal.... É claro que nem tudo é mau. Só 80% das coisas são más. Ah, outra perguntinha. Os brinquedos nos paises europeus e EUA são altamente controlados. Em Portugal voce consegue comprar na loja dos chineses, brinquedos para as crianças que são autenticas armadilhas... Mas a Asae lá vai às feiras verificar se os chouriços foram bem embalados, ou se a T shirt Calvin Klein é de imitaçao, quando mtas vezes as proprias fabricas fazem estas tramoias, e olhe que sei do que esotu a falar.... Vá sentar-se à lareira a ler revistas antigas e ponha-se a sonhar com a Castel Branco....
    anticristo | 06.12.2011 | 18.03Hdenunciar comentário
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  • Ontem disse que há uns anos até comprei um livro desta senhora Isabel Stilwell, e que dessa data até agora a IS não evoluiu nada. Além de não ter evoluído, não quer ter o bom senso de ler alguns comentários que aqui são publicados e mudar a sua forma de pensar. Quando se escreve sobre os países nórdicos e outros (poucos) exemplos, fala-se em termos estatisticos ó sra IS !!! Aqui em Portugal existem em 100 , 90 coisas más e 10 boas. Nesses países existem 10 coisas más e 90 boas !!! Aprenda alguma coisa, que já tem idade para isso !!! Ou precisa do Alexandre para lhe falar nas "malguinhas"?
    David JM Torres - União Europeia - Séc. 21 | 06.12.2011 | 17.16Hdenunciar comentário
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  • Só a falar de comodidades do Metro: o Ministério Público devia investigar as razões pelas quais são atirados sobre as pessoas piquetes privados de homens vestidos à segurança a desviarem-nas do seu caminho para as forçarem a mostrarem os bilhetes, tipo cordão policial, isto quando as pessoas já se encontram fora dos veículos do Metro. Trata-se de perseguição e espera feita aos cidadãos. Devem passar a abordar as pessoas somente dentro dos veículos enquanto estas se estão a movimentar, e não noutros locais. Se o sistema de bilhetes é ineficiente, julguem os técnicos que decidiram implementar esse sistema sem terem pensado suficientemente nele. É sobre esses que deve recair agora a punição e não sobre os cidadãos que utilizam esse transporte público. Há ali obviamente abuso público, e por isso deve ser investigado. Apela-se também a quem conheça situações abusivas que as exponha na Internet, como serviço de participação cívica em favor da população de um país.
    METRO QUÊ? | 06.12.2011 | 15.16Hdenunciar comentário
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  • Blá blá. Revejam os editoriais desta senhora ao longo dos anos, principalmente antes da crise, e perguntem-se se ela faz ou não faz parte do próprio "xico-espertismo" que durante anos lavrou em Portugal. Agora é que os xicos-espertos e xicas-espertas estão todos a questionarem-se, é claro. Mas ainda não deixaram a doutrina. Estão somente tontos. Para mim é o caso desta senhora.
    XICA-ESPERTA | 06.12.2011 | 15.05Hdenunciar comentário
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  • Continuo a apontar exemplos que nos chegam dos países nórdicos: a educação e literacia são da ordem dos 100%, não há analfabetismo (ou se o há, é em escala quase inexpressiva)e muitos dirigentes vão de transportes pessoais normais, ou até públicos, comem na cantina dos restanets funcionários e t~em gabinetes modernos e peqeunos, com móveis práticos. Não invento, cito exemplos que vi na TV e li em jornais e/ou revistas. É um facto. Por contraponto temos a mentalidade latina e própria dos países pobres e dos emigrantes iletrados. Nada na cabeça e muito para o show-off. Tudo o resto vem por arrasto; justiça corrupta e lenta; função pública calamitosa; favorecimentos e compadrio; desvios e gastos de empresas fantasmas; regalias desenquadradas com funções e resultados; saúde púiblica num caos; comportamento; chico-esperteza; má-educação; lixo atirado para o chão com o caixote ao lado e uma infinidade de coisas. Claro que excepções haverão, tanto do "lado de lá", como do "lado de cá", mas julgo que é flagrante e inversamente proporcional. Basta ler as estatísticas. Podia ser pior, de facto. Podíamos ter nescido na Somália ou na Etiópia, mas que somos de mentalidade atrasadinha, ai somos, somos. Muito ainda para crescer.
    PEDRO B | 06.12.2011 | 12.36Hdenunciar comentário
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  • Mas ainda não perceberam que este é o País da merda rala?, é só cagões exibicionista, basta ver os nossos jogadores de futebol cheios de tiques de vedetas, lá fora também há, mas são menos... faz bem a Portugal levar uma coça de humildade, eu desde à 15 anos vejo tanta cagança no locais de trabalho, toda a gente com os ultimos telemóveis carros novos, roupas caras tudo para impressionar os outros, e havia pressão para quem não torrasse o ordenado em merdas para impressionar era posto fora do grupo era o teso que come de marmita, ... as Ucranianas fazem crochet nos autocarros cá em Portugal as empregadas de limpeza andam de oculos escuros e andar arrogante acham-se as rainhas do Omo e do presto... não prestam
    Charles | 06.12.2011 | 12.06Hdenunciar comentário
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  • Concordo plenamente com a nálise da sra. jornalista. Passamos a vida a dizer mal de nós próprios sem sequer conhecermos minimamente o que se passa nos países onde achamos que tudo está bem. Seja como for, somos o que somos, e, sem lamúrias, temos que lutar para que o nosso país nos possa oferecer tudo do melhor, sempre que possível, como é evidente. Afinal, e a acreditar na comunicação social, há muitos que estão muito pior do que nós e, se calhar, não se queixam tanto.
    o justiceiro | 06.12.2011 | 11.44Hdenunciar comentário
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  • "mesmo quando as urgências dos hospitais nos atendem depressa e bem, e sem nos levarem nada por isso"... Isabel Stilwell há de me dizer onde é que é isso, porque em Portugal não conheço nenhum hospital desses, nem privados, quando mais públicos...
    El Che | 06.12.2011 | 10.33Hdenunciar comentário
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  • Sim, sim, invistam por favor em bilhetes de avião! É verdade que este Verão tive a oportunidade de passar férias junto de familiares no Canadá, e tudo o que os meus olhos viram, só podia ser alucinação, fome até dizer basta, carros a cair de podre, hospitais nem vê-los, a insegurança nas ruas verdadeiramente assustadora! Para não restarem dúvidas para mim basta um de ida! O melhor já que isto é tão bom, é começar a viver com o ordenado mínimo, e depois Sra Jornalista, diga-me que também não vai querer um bilhetinho de avião!
    Vítor Cunha | 06.12.2011 | 10.20Hdenunciar comentário
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  • Cara Isabel . . . ! Muito lindo . . . ! Sim senhor . . . ! Espelho meu . . . ! Espelho meu . . . ! Haverá país . . . ! Mais belo do que o meu . . . ? ! Ou então . . . ! As "malguinhas" . . . ! No país . . . ! Das maravilhas . . . ! ! !
    alexandre barreira | 06.12.2011 | 07.19Hver comentário denunciado
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